Feliz 2013?

Até onde podemos ir? Já é hora de pensar no ano que vem?

É, já entramos naquela fase do ano em que sempre que temos de lembrar a data, vem o pensamento, seguido ou não do comentário, o ano está acabando.

2012 começou bastante promissor aos santistas, o elenco que iniciou o ano com poucos reforços seria capaz de disputar os títulos da temporada, além disso vivemos o ano do centenário da história mais linda que o futebol foi capaz de escrever.

Ainda espero por comemorações mais condizentes com nossa história já que o centenário não acabou e não escondo minha frustração com o que se passou até agora. Mas voltaremos oportunamente a este assunto. Por ora, fiquemos no futebol.

O elenco realmente mostrou-se capaz de disputar os títulos, mesmo sem reforços de nível. Conquistamos o Paulista e fomos às semifinais da Libertadores.

Sabíamos que o Brasileiro seria outra história. Primeiro por ser um campeonato de nível técnico bem mais alto que os demais, depois porque haveria a Seleção e as intermináveis e inoportunas convocações que se chocam com o campeonato nacional.

Seguir neste raciocínio é concluir, inevitavelmente, que não houve planejamento ou ainda que ele foi muito mal feito. É só nisso que se fala nos últimos dias por isso não abordarei o tema, já que venho falando nisso há meses (veja os posts neste blog).

O que quero aqui é discutir as reais chances do Santos em 2012.

Costumo dizer que os pontos corridos não mentem. É o 10o campeonato seguido neste sistema e os números hão de dizer alguma coisa.

Até onde podemos ir? Dá pra chegar ao menos à Libertadores? Vejamos, analisando os últimos 3 campeonatos.

Os últimos 2 campeões, Corinthians e Fluminense, atingiram 71 pontos na classificação final, aproveitamento de 62% dos pontos. Em 2009, num campeonato atípico o campeão, Flamengo, fez 67 pontos (59% de aproveitamento).

Se extrairmos disso uma média, teremos que para chegar ao titulo, uma equipe precisaria de 61% dos pontos para estar próxima ao título (70 pontos).

Já para a Libertadores, considerada como classificação mínima o 4o lugar, tivemos em 2011 o Flamengo com 61 pontos, em 2010 o Grêmio com 63 e em 2009 o Cruzeiro com 62. Média de aproveitamento 54%. Significa na melhor das hipóteses, 61 pontos necessários.

Não estou preocupado com rebaixamento, mas pode parecer arrogante não considerar a possibilidade. Para este caso, tivemos como média, um aproveitamento de 38% dos pontos, considerados os 3 últimos 16o colocados.

Assim, considerada nossa atual e vexatória campanha (10 pontos e 30,3% de aproveitamento), temos as seguintes necessidades:

  • Para escapar do rebaixamento: teremos de fazer mais 33 pontos em 27 jogos. Média necessária de 40,7%.
  • Para chegar a Libertadores: teremos de fazer 51 pontos o que significaria 63% de aproveitamento nos jogos restantes, ou seja média de CAMPEÃO 
  • Para chegar ao título: teremos de fazer, no mínimo, 59 pontos o que significaria média de aproximados 73%, ou seja, um pouco menos do que o desempenho do Fluminense no atual campeonato até a 11a rodada.

 

Se tivéssemos hoje um time minimamente formado e um elenco mais competitivo já não seria fácil. Não temos.

Diante disso, cabe a direção do clube entender e informar o que quer, porque do contrário, a interpretação é livre.

A minha é de que, ao não dar sinais de pretender sequer repor as peças perdidas recentemente por outras do mesmo nível, a direção já pensa em 2013 e sem Libertadores. É triste mas talvez, neste momento, seja o mais racional a se fazer.

Seria também racional avaliar o desempenho dos profissionais do futebol e não falo de elenco e comissão técnica. Treinador pede o que pode, jogador joga o que pode. Quem é afinal responsável pelo tal planejamento?

Quem errou em 2012 vai acertar em 2013?

Esclareço que não me refiro a pessoas. Não sou de avaliar trabalho de quem não conheço, o que avalio é resultado e situação, péssimos no momento.

Quem sabe a partir daí possamos ter um 2013 mais feliz.

Permitam-me uns palpites, o Fluminense será campeão; Atlético-MG, Botafogo e Inter (ou Grêmio) vão à Libertadores e o Santos vence o Atlético amanhã por 3 x 1 com dois gols de Bill.

E você o que acha?

 

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Público e renda no Santos F.C

Clube registra média das mais baixas. O que fazer?

Amigos, nosso Santos continua sofrendo na reestruturação e empatou mais uma ontem. O destaque negativo foi a contusão de nosso capitão que só volta a atuar no ano que vem.

Diferentemente de muitas opiniões que ouço e leio por aí, pra mim Edu era até ontem o maior zagueiro em atividade no futebol brasileiro. Lamentável.

Mas me chamou atenção um outro dado no jogo de ontem, o público de 7.019 pessoas. Número até que bom para a atual conjuntura.

Além de estar sem os principais jogadores e num momento sem brilho, há o clima frio e o horário (19:30h inviabiliza a ida da grande maioria dos torcedores que moram em São Paulo).

O problema é que esse dado da pequena média de público no Santos, é muito mais estrutural do que conjuntural. É freqüente e somos o time grande com menor média de público quase sempre. Isso no time de Neymar, isso no time multicampeão.

Trago aqui alguns dados para entendermos melhor o problema, até o momento em que escrevo esse texto, a CBF ainda não havia publicado o boletim financeiro da partida de ontem. Tomemos como exemplo, portanto, o último jogo diante do Grêmio com 9.402 pagantes.

A renda bruta foi de R$ 224.775,00, descontadas as despesas – e são muitas – o resultado liquido foi de R$109.757,73. 

Assim, se mantivesse esse público como média, o Santos arrecadaria ao longo de todo Campeonato Brasileiro R$ 2.085.396,87, mais ou menos um terço da folha de pagamento de um único mês. Difícil!

Quero dividir com vocês, uma parte de um estudo maior que faço atualmente sobre público e renda, os dados do Santos tricampeão paulista. Escolhi esse período porque o time foi campeão e disputava concomitantemente a Libertadores ou a Copa do Brasil.

Esclareço que esses dados são públicos e você pode acessá-los no site da FPF 

O Paulista de 2010

Depois de um sofrido 2009, a equipe comandada por Dorival Jr., voava baixo e encantava o pais com média superior a 3 gols no Período. Além de Neymar e Ganso, tivemos a volta de Robinho. Vejamos os resultados financeiros do Santos como mandante.

Na 1a fase o Santos jogou 80% das vezes na Vila Belmiro e 20% no Pacaembu. A média de público na fase foi de 11.468 pagantes, se contarmos só os jogos na Vila temos média de 9.078 e nos do Pacaembu, 21.027.

Impressionante é que os 2 jogos no Pacaembu foram responsáveis por 58% do público total.

É claro que é preciso observar o contexto mais amplo, talvez se jogasse mais no Pacaembu, o clube diminuiria o interesse da imensa demanda paulistana. Talvez.

Destaque negativo para o último jogo da fase, quando o Santos pagou R$18.390,08 para jogar.

O Paulista de 2011

Pois bem, em 2011 o clube continuava voando, Elano estava de volta. O professor Pardal Adilson Batista permaneceu pouco tempo e o time foi novamente campeão paulista. Aos números.

A média de público da 1a fase cai para 8.535 pagantes, o Santos joga 70% da fase na Vila Belmiro com média de 8.250, 2 jogos em Barueri (média de 8.049, sendo um dos jogos o clássico com o SPFC) e apenas 1 jogo no Pacaembu com 11.496 pagantes no ingrato (para a capital) horário das 19:30h.

A queda de público pode ter relação com a “concorrência” da Libertadores. Há que se ressaltar que o Santos do Pardal Adilson não encantava e o time foi mal mesmo na Libertadores que acabaria conquistando apos a chegada de Muricy.

O Paulista de 2012

Agora, o Santos bicampeão paulista era também o campeão da Libertadores, contratou pouco mas manteve a base do elenco. Verdade que teve a “surra” de Yokohama, mas vamos aos números.

Com a Vila em reforma o Santos só pode mandar ali 40% dos jogos da primeira fase. A média da fase – 9241 pagantes –  subiu em relação a 2011. A diferença principal é que o time foi itinerante nos jogos fora da Vila e optou por não jogar no Pacaembu.

Destaca-se que o clássico com o Palmeiras em Presidente Prudente foi responsável por 28% do público total da fase e impressionantes 44% da arrecadação que subiu muito em relação a 2011 (principalmente em função das finais do Morumbi) mas ainda ficou significativamente menor do que em 2010.

O destaque negativo foi pagar quase 20 mil reais para jogar a estréia em São Caetano.

Considerações Gerais

O Pacaembu é um grande aliado do Santos no que se refere a público e renda.

Mandar jogos no interior, sobretudo no Paulista, é algo a ser observado com mais carinho.

Jogos na Grande São Paulo, em especial no ABC, não deram resultado positivo.

Importância da arrecadação

Num passado recente, a renda de bilheteria significava muito pouco aos clubes de futebol, vinda na maior parte dos direitos de TV e das cotas de patrocínio. Aos poucos, e com modelos de gestão um pouco mais profissionais, essa realidade vem mudando.

O clube que mais arrecada no Brasil – o Corinthians – informa em seu último balanço uma receita bruta de R$ 27.710.000,00 (pouco mais de 10% do total)

Nos grandes clubes europeus, essa participação é ainda maior. O estádio é, cada vez mais, fonte de renda importante.

O que fazer para melhorar?

Um clube da grandeza do Santos não pode conformar-se com médias de público tão baixas.

Recebemos menos de TV em relação a alguns outros clubes, o que tende a diminuir também nossas cotas de patrocínio. Isso aumenta ainda mais a importância da bilheteria na composição do orçamento.

A importância de mandar jogos em São Paulo é mais que óbvia.

Para minimizar os efeitos conjunturais na venda de ingressos há medidas relativamente simples que podem ser tomadas, a principal delas é a venda antecipada da temporada por meio de season ticket.

Nesse caso, minha humilde sugestão é que se divida os mandos da temporada na seguinte proporção:

  • 50% dos jogos na Vila Belmiro
  • 40% no Pacaembu
  • 10% no interior ou em outras praças no caso do Brasileiro.

Essa sugestão se aplicaria apenas aos jogos do Paulista e do Brasileiro, jogos das finais do Paulista (quando houver), da Copa do Brasil e da Libertadores (quando houver) seriam alvo de outra ação comercial, dando prioridade a quem tivesse season ticket.

O sócio teria opção de comprar ao final de cada ano:

  • Toda a temporada
  • Todos os jogos em Santos (se sobrarem lugares)
  • Todos os jogos em São Paulo (se sobrarem lugares)

Já que no Sócio Rei o clube optou (equivocadamente na minha opinião) por hierarquizar os sócios, praticando preços diferentes, esta diferença seria contemplada no tipo de lugar no estádio (cadeira, setor, arquibancada etc.)

As torcidas organizadas – que pra mim são importantes – teriam uma cota de season ticket para adquirir e pagariam por eles antecipadamente também.

IMPORTANTE: A prática de season ticket só funciona quando oferece vantagem financeira. O valor médio do ingresso tem que ser mais barato do que o da bilheteria.

É importante também haver um sistema de recompra destes ingressos, ou seja, se o proprietário decide não ir a um determinado jogo, ele informa antecipadamente ao clube e este ingresso volta à bilheteria (ou site) para ser vendido de forma avulsa (aí sim, mais caro). Se vendido, isso dá ao proprietário, direito a desconto na próxima temporada.

Há outros diversos fatores.

A experiência de um jogo de futebol deveria ser entendida e comercializada como tal. Algo mais complexo do que ocorre dentro do estádio.  O Santos e os clubes brasileiros no geral, ainda estão muito longe disso, e pretendo voltar especificamente ao tema em outra oportunidade, mas há que se começar de algum lugar.

E você o que pensa? Deixe seu comentário e vote na enquete. Até.

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Aqui é trabalho?

Técnico fica até 2013. Isso é bom?

Amigos, os dias ainda são difíceis para a comunidade santista.

Há um clima de expectativa em relação às contratações que possam suprir as recentes saídas de jogadores como Elano e Borges. A novela Ganso continua, deixando a impressão de que o final ainda está bem distante.

Em campo, algumas melhoras com a vitória sobre o Grêmio e o até que bom 2º tempo contra o Inter-RS,  em Porto Alegre.

Das novidades, em meio aos desencontros de informações sobre reforços, destaca-se a notícia da renovação do contrato de Muricy Ramalho até o final de 2013. Boa notícia?

Pelo que ouço e leio por aí, especialmente nas redes sociais, há uma divisão de opiniões sobre a permanência do treinador, certamente ainda influenciada pela triste eliminação na Libertadores. Ainda se ouve e se lê que o time é uma porcaria, que a diretoria é inútil etc. Até pedidos de “fora LAOR” andaram aparecendo por aí. Um absurdo, diga-se.

Entendo o lado passional do torcedor porque também sou torcedor, mas pra tudo há limites. O presidente foi eleito com aproximados 90% dos votos, nos termos do estatuto aprovado pela Assembleia Geral de sócios. Teve uma gestão vitoriosa até aqui, merece críticas, é fato, como já mereceu os maiores elogios. O “fora LAOR” ainda que seja apenas brincadeira de mau gosto, não é apenas desrespeito ao presidente, mas ao Santos, aos sócios, à torcida e à democracia. Não merece, portanto, mais nenhuma linha. Voltemos ao que interessa, o “fico” de Muricy.

O que dizem os detratores é que o técnico é retranqueiro e avesso ao trabalho com jogadores das categorias de base e que isso vai contra o “nosso DNA”. Dizem que joga feio, falam até num tal “muricybol” para definir o estilo do professor.

Números falam muito e mentem muito também, mas ajudam a entender algumas coisas.

Um técnico retranqueiro dirige equipes que fazem e tomam poucos gols. Não parece ser o caso de Muricy.

Venceu o Brasileiro em 2006 com o time que mais fez gols, chegou muito próximo disso em 2008. Em 2007 o São Paulo fez poucos gols e levou apenas 19 (0,5 por jogo). Já pelo vitorioso Santos de 2011, teve uma de suas médias mais baixas, mas cabe lembrar que pós-Libertadores o time foi esfacelado por diversas convocações da CBF e, praticamente, desistiu de jogar o Brasileiro.

O que chama mais atenção é o fato de, justamente no momento em que é mais criticado, ter sua média mais alta no Santos e na carreira recente.

Mas o que significa a média de 2 gols por jogo?

A média histórica do clube que mais fez gols na história, em 5587 partidas, é de 2,12. A do time bicampeão do mundo em 1963 é de impressionantes 2,65 (verdade que o time tomava 1,71). O Barcelona, em 4 anos de Guardiola, tem média de 2,55.

Comparando com realidades mais próximas, temos o exemplo do festejado Corinthians com 1,37 gols por jogo (59 gols em 43 jogos) em 2012 e o Palmeiras, campeão da Copa do Brasil, com 1,75 (70 gols em 40 jogos). Bom, mas Tite e Felipão são dois outros retranqueiros! Certo?

Então vamos ao ofensivo Dorival Jr. O Inter-RS fez em 2012, 69 gols em 40 partidas (47 em 21 pelo disputadíssimo Gauchão), média de 1,73. Já o líder do Brasileiro-12, Atlético-MG, tem 53 gols em 28 jogos, média de 1,89.

Claro, números são apenas números, mas não ajudam a “acusação” que se faz frequentemente ao nosso treinador.

Mas e as categorias de base? Será verdade que Muricy não gosta de trabalhar com jovens?

Vejamos, o Santos tem 36 atletas profissionais em seu elenco e destes, 15 vêm da base (41%). Exceção feita ao 4º goleiro, Gabriel, todos os outros jogaram ao menos uma vez. Não estou contando Rafael, Neymar, Ganso e Adriano que já estavam prontos quando o técnico chegou e nem jogadores que foram utilizados no Paulista e devolvidos à base ou emprestados.

Há que se considerar a falta de sorte que alguns tiveram com contusões sérias, casos de Pedro Castro, Paulo Henrique e Crystian, por exemplo. Além disso, o argumento do treinador de que é preciso lançar devagar e, preferencialmente, num time equilibrado, me parece bastante sólido. Time grande e vencedor tem pressão e os garotos nem sempre estão prontos para suportá-la.

Da base, às vezes vêm Robinho e Diego, outras vezes Tiago Luis e Alemão (lembram?).

Deposito muita esperança em Felipe Anderson, acho que o garoto está evoluindo muito (inclusive por responsabilidade do técnico) e, em breve, será o dono da 10. Vejo potencial no Dimba, quero ver mais o Geuvânio e espero muito de Vitor Andrade e Pedro Castro para os próximos anos.

Em síntese, não me parece que atitudes de Muricy justifiquem a afirmação de que ele não gosta da base. Ao contrário. Ele quer reforços de peso, você não?

Já deu para perceber que apoio a manutenção do treinador e nem é pelos números aqui apresentados. Não conheço Muricy, mas entre os que o conhecem, há unanimidade em ressaltar virtudes que valorizo muito. É um técnico muito profissional, dedicado (a ponto de quase morar no CT), exerce autoridade sem ser autoritário, não alimenta “panelas” e tem uma conduta reta. Conhece futebol, trabalha e vence.

Tem defeitos também. É teimoso e, muitas vezes, demora demais para mexer no time.

Se saísse hoje, gostemos ou não, estaria marcado na história do clube entre os maiores treinadores. Espero que seja feliz na permanência e muito útil a esse inevitável, ainda que fora de hora, processo de reestruturação.

E você, o que pensa?

fontes: dados do Santos F.C. – site do Clube. Demais clubes: Portal Terra.

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Sobre o Ganso e outros bichos.

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Pois é, os últimos dias não têm sido muito fáceis à comunidade santista.

A começar pela dolorida eliminação pelo rival do Parque São Jorge que acabou resultando no inédito título da Libertadores. Foi justo, a campanha do Corinthians foi irretocável, mas fica um incômodo, resta a impressão de que a culpa da imensa alegria que invadiu parte considerável  de São Paulo é toda nossa. Talvez seja, ao menos em parte.

De lá pra cá, o que se acompanha diariamente na grande imprensa e, sobretudo, nas manifestações santistas em redes sociais dá conta de que o Santos é o pior time do mundo, com a diretoria mais incompetente do mundo. A camisa azul, que era linda quando ganhou o Paulista, tornou-se um lixo a ser evitado. A popular “zica”. O clima me parece de histeria, ou talvez o histérico seja eu, não importa. O fato é que está bem pesado.

O motivo: perdemos um jogo! Só isso e tudo isso.

Ao que parece a sensação não é só do torcedor passional ou da imprensa por vezes oportunista. O clima de velório parece ter atingido em cheio a nossa alta direção.

O presidente LAOR, por exemplo, sempre falante e competente porta voz do clube, optou por calar-se, numa espécie de recesso (o termo é dele). Iniciou-se um certo desmanche no elenco, analisemos.

  • Renteria: não sei o motivo de ter vindo, vai tarde.
  • Alan Kardec: Foi útil. Cabe perguntar até quando o Santos contratará jogadores por empréstimo sem valor fixado, ou com valor fixado insatisfatório. Teria sido tragicômico ter passado às finais da Libertadores e não poder utilizar o atleta. A impressão que fica é que foi um negócio de ocasião, de baixo custo ao clube que, por sua vez, não acreditava no jogador. Não pretendo entrar em pormenores de planejamento, já o fiz aqui e aqui.
  • Borges: Chegou e fez gols. Recebeu proposta e o Santos não o liberou. A partir daí começou a rediscutir contrato e parou de jogar. Coincidência? Vá com Deus!

O que fica claro na história dos 3 jogadores acima é que a saída era bastante previsível. E só agora buscaremos substitutos?

  • Elano: Não sei o que se passa com esse rapaz. Foi pra mim o melhor jogador da Seleção na Copa de 2010, contundiu-se, chegou bem ao Santos, depois foi sumindo. Há quem diga que gostaria de ter tido um tratamento melhor, de ídolo. Que não se conformava em ter o nome envolvido em eventuais trocas etc. Não sei, Elano sempre me pareceu um grande coadjuvante, só isso. Obrigado por tudo.

Miralles me deixou boa impressão jogando contra nós na Libertadores. A conferir.

De qualquer forma, o que precisaremos entender é que esse processo de (re)montagem do time no meio da competição, compromete o desempenho do Santos no Brasileiro. Claro que se eu sei, as pessoas pagas para pensar nisso sabem também. Resta saber o que elas têm de autonomia.

Será preciso serenidade, não há como sair contratando a cada grito da torcida. Até Loco Abreu teve gente pedindo (era só o que me faltava).

Mas vamos ao que interessa, o caso Ganso.

No capítulo da semana passada dessa longa novela, Ganso declara que “esperava coisa melhor” em relação a última(?) proposta recebida. O contexto era a saída do estádio do Canindé, em resposta à rádio ESPN “Ganso, e aí não renovou, esperava coisa melhor, né?”

O que você responderia?

Há dois cenários nas reações que se seguiram. O primeiro, absolutamente compreensível, é o daquele torcedor que tem o camisa 10 como ídolo, (recomendo esta leitura) e que está cansado de tamanha bipolaridade na relação do atleta com o clube.

Ganso era, em 2010, um dos que mais recebiam no Santos. O time cresceu, salários cresceram e o dele não. Houve propostas recusadas, o atleta disse que queria ser negociado de imediato, que sonhava viver na Europa, vieram as contusões e novas propostas e recusas. Até aí, problema dele.

No início do ano, dizendo que o jogador pedira um tempo para conversar, o presidente LAOR afirmou que aguardaria a vontade do atleta. Ganso vai à TV, diz ser feliz no Santos e que quer renovar o contrato. Novas propostas, mais recusas a espera de “coisa melhor”. Chegamos ao segundo cenário.

Do torcedor não se espera mais do que reações passionais, da direção, do conselho de gestão formado por profissionais tão experientes, espera-se racionalidade.

Chegamos ao máximo possível? Entendemos que o garoto de 22 anos não está sendo correto com o clube ao esperar coisa melhor? Simples, tomemos atitude, sem discutir pela imprensa como vem sendo feito. O atleta tem contrato que será cumprido, em que pese a proposta estar mantida (retirá-la me parece amadorismo). O que não dá é pra se mostrar ofendido pela declaração do rapaz, até porque, foi isso mesmo que ele disse ao recusar a proposta, “esperava coisa melhor”. Não dá pra criar clima de guerra para daí negociar o atleta de qualquer forma, pois isso será fazer o jogo dele ou do parceiro etc. Não creio em ofensa, aliás, ele só disse não, direito e problema dele.

O que fazer então?

Há uma multa rescisória de 50 milhões de euros em caso de transações internacionais. O valor parece irreal para o momento do atleta, talvez seja mesmo. A esse valor de contrato, dá-se  o nome de direitos econômicos. No caso, 45% pertencem ao Santos, ou seja, na melhor hipótese caberiam ao clube 22,5 milhões de euros. (o clube receberia o valor integral e poderia optar por não repassá-lo ao parceiro, questionando judicialmente o contrato (coisa que já fez), mas as chances de êxito não parecem promissoras).

Dada a situação atual, 15 milhões de euros me parecem excelentes e 10, bastante razoáveis. É o caso de chamar os envolvidos e esclarecer: por 10 milhões de euros para o clube, negociamos o atleta.

Não há propostas? Simples, cumpra-se o contrato.

Se eu fosse convidado a opinar, optaria por trocar o jogador por jogadores como Robinho ou Diego, contratações de impacto midiático enorme e de resultado técnico “assegurado”. Isso justificaria o investimento, já que os jogadores não seriam mais negociados. Não sei do Robinho, mas Diego quer voltar, todo mundo quer voltar por causa da Copa e da crise na Europa.

Para o mercado nacional, a multa é estipulada em função do salário nos termos da “antiga” Lei Pelé já que o contrato foi assinado antes de março de 2011, quando a “nova” lei (12.395/11) passou a vigorar. Ela é menor, mas não é pequena, no ano passado era de 59 milhões de reais, segundo o Clube. (diminui com o tempo)

Nesse caso, a postura me parece simples, não negociamos o jogador com o mercado nacional (para não reforçar adversários) exceto no caso de cumprimento da Lei. (Ganso deposita o valor da multa na justiça do trabalho e fica livre) Caberá discussão sobre direitos da DIS nessa multa, mas não sobre a obrigação de seu depósito integral para a rescisão.

Tudo isso pra dizer que creio ser o mais sensato, na impossibilidade de negociá-lo com o exterior, continuar buscando o diálogo para renovação. Fica mais difícil dado o hábito, intencional ou não, do clube levar a discussão para a mídia. A um menino de 22 anos mal orientado, ou orientado por más pessoas, pode faltar equilíbrio e profissionalismo. A um torcedor ferido pela ingratidão, pode sobrar raiva. A uma diretoria incensada como a melhor do país, não.

Em resumo, meus conselhos:

Ao Santos.F.C.: Negociem o rapaz com o exterior, preferencialmente, numa troca. Agora, avec elegance, por favor! Nas internas, sem imprensa. Preferencialmente, exterminar quem vaza notícia.

Para o mercado nacional, a Lei simples e pura. Sem negociação!

Ao Ganso: Se oriente rapaz, pense na sua vida do interior do Pará até aqui. Na sua família, inclusive. 

Você acha mesmo que bem lhe fazem sua assessoria, seus supostos amigos? 

Você se acha craque? Está certo, você o é!

Você se acha ídolo? Só se for das “suas nega”, parceiro.

Você não é meio Pita! Não fez pra isso. (E se você que me lê não sabe quem foi o Pita, azar seu, mas ídolo no Santos é um troço sério. Respeite, dê-se ao respeito, e respeite o Santos… Vá ler um livro!)

À torcida: É conveniente parar de acreditar em tudo que lê! O tal do Sonda não tem qualquer poder pra dizer se o rapaz joga ou não no Santos.

Corneteiro profissional de twitter é algo desprezível, tão desprezível quanto certos supostos jornalistas. Vocês se surpreenderiam se soubessem quem paga certas pessoas. Não direi nada, por enquanto, e por responsabilidade jurídica. Mas aguardem!

A novela continuará e segue um pequeno glossário para entender as cenas dos próximos capítulos. (todo mundo sabe, mas escreve-se tanta coisa por aí que às vezes confundimos)

  • Direitos Econômicos: valor que se recebe quando o contrato é rompido de modo consensual ou cláusula penal (multa). Pode ser partilhado em N pedaços.
  • Cláusula Penal (Multa): valor depositado pela parte, atleta ou clube, de forma a rescindir contrato vigente. É uma questão da Justiça do Traballho.
  • Direitos Federativos: direito do clube que tem o contrato do atleta sob registro na Federação. É só do clube, não cabendo partilha. Em outras palavras, só o clube libera um jogador tenha ele 100%, 45%, 5% ou NADA dos direitos econômicos. A única saída é o depósito da cláusula penal.

Era isso. Até.

PS Até o momento em que estas linhas foram mal redigidas, ninguém havia “posto” Ganso no Corinthians. Aguardemos…

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O Japão não é mais logo ali!

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Como foi difícil o dia de ontem, não?

Esse tipo de derrota, também conhecido como tragédia, acontece e a nós, que tanto gostamos do Santos, cabe descobrir o porquê. Ou tentar.

É preciso ter cuidado com essa história de planejamento. Não há planejamento que assegure uma conquista de Libertadores. Isso é verdade quando se perde e também é verdade quando se ganha.

O formato do torneio, regulamento, a vontade de ganhar, a rivalidade e até uma certa precariedade, dão a Libertadores o privilégio de ser mais propícia ao imprevisível, ao imponderável, ao Sobrenatural de Almeida como diria Nelson Rodrigues.

Qualquer um dos quatro semifinalistas poderia ser campeão, qualquer um dos dois finalistas poderá ser campeão. Esse é o fato, o resto é perfume.

Em 2012, até estranhamente pela tradição do torneio, chegaram às semifinais os 4 melhores clubes do continente. Santos e La U de mais qualidade estética e de futebol mais agradável, acabaram fora. Não, não é necessário rever conceitos sobre estilo de jogo, nada disso. No futebol, como na vida, às vezes dá Barcelona, outras vezes Chelsea.

Perdemos e é bom que saibamos fazê-lo, quem não sabe perder não merece ganhar. Mas…

Repito, não é possível via planejamento assegurar a conquista do título, o que se consegue é se aproximar ao máximo disso com elenco menos vulnerável às surpresas da competição. Se o Santos não tivesse cometido os erros que pretendo listar, talvez tivesse perdido do mesmo jeito, mas certamente perderia mais forte e estaria mais forte para o restante da temporada. Eis o ponto.

Fomos ao Japão com o presidente reeleito de forma avassaladora e merecida. Fomos ao Japão de férias!

Não, o Santos não foi passar férias no Japão, todos no elenco, diretoria e entre nós, torcedores, queriam muito aquela conquista, mas o time não fazia uma partida digna de nota havia 6 meses, desde a decisão da Libertadores que hoje completa seu primeiro aniversário. Parabéns!

O que quero destacar é que o Santos iniciou o planejamento de 2012, tendo como base o time campeão da Libertadores e não o que levou a surra do Barcelona. Primeiro erro.

Mas era o mesmo time?

Não era! Além do que, seis meses mudam muito as pessoas, a vida e o futebol.

Iniciamos 2012 implantando as medidas trazidas pelo novo estatuto, não haveria mais diretores, o então diretor de futebol foi gozar de merecidas férias, ainda sem saber se seria o novo superintendente, segundo publicações da época. Deixou de ser mesmo sem ter sido, e o novo superintendente foi anunciado em 19 de fevereiro, o futebol ficou dois meses sem responsável direto.

Coincidência ou não, anunciada desde o fim de 2011, a contratação de Jonas fazia água. Desacerto envolvendo Maranhão que seria cedido, em definitivo, ao Coxa. Após ligeira troca de farpas, ficamos sem Jonas e com Maranhão, que foram em 2011, respectivamente, titular e reserva (às vezes segundo reserva) do bom time paranaense. Em síntese, Danilo foi embora e ficamos sem lateral, restava o Pará.

Felizmente, conseguiu-se o empréstimo de Fucile junto ao Porto. Problema resolvido por míseros 6 meses, o clube passa a tentar envolver Maranhão em trocas, já que o atleta dava sucessivos sinais de fragilidade no início da temporada. Não poderia esquecer, havia também o promissor Crystian, da base, para a posição.

Pois bem, Crystian se contundiu gravemente, Fucile também, ninguém quis Maranhão e o Santos dispensa Pará! Segundo erro grave!

Sabemos todos que suas chances de vencer adversários difíceis aumentam um pouquinho ao menos quando você consegue usar os dois lados do campo. O Santos de hoje é penso, torto, lembra um pouco aquelas mesas cansadas de bilhar em botecos pés sujos, que tanto gosto, em que algumas caçapas sugam a bola. Chamávamos isso na Zona Leste de São Paulo de “descaída”. Isso, o Santos com sua alta folha de pagamento é um time com “descaída”. Escrevi sobre isso dias atrás aqui neste blog.

O caso Ibson

É difícil manter um elenco forte e competitivo quando jogadores de alguma qualidade e experiência, como Ibson e Elano, fazem biquinho ao ficarem na reserva. Esse é mesmo um grave problema cultural que talvez explique o desejo do atleta de voltar para o Flamengo que, segundo dizem, tem tradicionalmente problemas para honrar seus pagamentos. Mas não dava para esperar o fim da Libertadores?

Ibson, mesmo de saída, não seria melhor opção do que Felipe Anderson (a eterna promessa), ou que Gerson Magrão (meu Deus!) ou que o próprio Elano? (o que acontece com esse rapaz?)

Por que a pressa para a troca por dois jogadores que nem poderiam ser inscritos na competição?

Ainda aguardo explicação convincente para este aparente absurdo.

A Vila Belmiro

Não quero parecer oportunista ao criticar a opção pela Vila Belmiro. O que penso sobre isso está escrito aqui no blog, bem antes desse jogo. Permito-me resumir o que penso de forma bem simples: 1) Amo a Vila Belmiro; 2) Ela atrapalha o Santos!

Os poucos felizardos que conseguiram assistir ao primeiro jogo da semifinal (estive entre eles) sabem do que digo. Esperava-se um caldeirão, viu-se no máximo uma frigideira de ovos num fogão com pouco gás.

O futebol, gostemos ou não, mudou! Um jogo grande tem de atender além de proprietários das cativas, conselheiros, torcedores organizados e meros mortais como eu, toda uma série de patrocinadores, convidados, cartolas, parentes e amigos, aspones, turistas agenciados e o diabo a quatro. Torcedores ali havia 8 mil, no máximo. É isso que queremos?

Queremos ser de novo o time grande de pior arrecadação no Brasil? Isso é amor?

A mim parece egoísmo!

Temos de começar a encarar os fatos e jogar na Vila de vez em quando, cada vez menos. Precisamos de um outro estádio, ainda que seja o Pacaembu, por enquanto. Sinto-me confortável para afirmar isso, porque sei o que a Vila representa e porque vou aos jogos onde quer que eles ocorram. Tenho essa virtude ou esse vicio, como queiram.

Estádio que tem de ser fonte de renda e tem de permitir iniciativas para ampliação do número de sócios.

Por falar nisso, não falarei do Sócio Rei. Prometo que só volto a me aborrecer com este assunto no dia em que receber minha carteirinha, caso esse dia chegue.

Reforços

Não tenho como avaliar os que já chegaram, não puderam ser inscritos e estão quase todos machucados, exceção feita ao E. Páscoa – esse me parece (eu disse parece) que pode dar certo como zagueiro. Não sei o que esperar de G. Magrão, D. Braz, Bernardo e Galhardo embora me pareça que nenhum deles tenha o mesmo nível dos titulares.

Por falar em nível, Juan pode integrar o elenco mas falta muito pra ser titular, considerando que já tem 30…

Perdemos Zé Roberto para o Grêmio, a direção disse ter havido um problema de comunicação, perdemos (?) Romarinho para o SCCP, não sei se isso é ruim mas o fato é que não temos um atacante de velocidade além do Neymar (que é craque, não Deus, e vai servir a CBF numas 15 rodadas do Brasileirão).

Outros “destaques” de times menores parecem não interessar ao clube. Vejam, por exemplo, esse Fabinho que foi do Guarani para o Cruzeiro. Acho que não interessa por não ser menino.

Perdemos Kardec, ganhamos com a saída de Renteria, mas resta o Dimba, dá?

Borges está feliz ou devo crer nos boatos de que sofre de “contratite”?

Ganso renova? Adriano renova?

Vamos contratar ou prevalece o discurso de que não há dinheiro? “O Santos não gasta mais do que arrecada”, diz sempre com orgulho nosso presidente, mas a arrecadação subiu vertiginosamente, não?

Já comemoramos bastante a manutenção de Neymar!

O que nos restou, com os problemas que já sabemos que virão, não é suficiente para conquistar o titulo e talvez nem para a vaga da Libertadores 2013.

A vida continua

Esse longo desabafo não desmerece nenhuma de nossas conquistas dentro ou fora de campo.

Não temos 100 mil sócios e nem 30 milhões de torcedores, nossa sobrevivência nessa não tão nova ordem do futebol mundial, depende de disputarmos para ganhar as competições.

Sim, senhor presidente, ganhamos 5 títulos na sua gestão, perdemos 4.

O saldo é mais que positivo mas não nos esqueçamos que as vitórias costumam emburrecer porque inebriam, da mesma forma que as derrotas ensinam, quando humanizam.

Saibamos com o que aprender!

Pitaco

Não me surpreendeu nada a classificação do Palmeiras e a eliminação do São Paulo na Copa do Brasil, mas notem que podemos terminar o semestre com a torcida alviverde sendo a única a sorrir. Quem imaginaria? Esse é o futebol tão parecido com a vida.

Despedida

Esse blog, por razões óbvias, deixará de existir em breve. O sonho do Japão acaba aqui, mas foi muito bonito e inesquecível sonhá-lo. Muito mesmo.

Voltamos em algum lugar e de algum jeito, em breve.

Obrigado pela visita!

Saúde!

PS Parabéns ao Sport Club Corinthians Paulista, absoluto merecedor da vaga conquistada.

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