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15/12/2008

O melhor jogo que não vi.


 

– Mãe, o que espero do futebol é a poesia!


 

Repetia esta frase enquanto ouvia as recomendações de sempre:

– Cuidado com as brigas!

– Não é melhor ver pela TV?

Ver pela TV? Meu time há dezoito anos sem um título, tudo a nosso favor. Ganhamos o primeiro jogo, o time era melhor, jogávamos pelo empate, era o dia, e ela me dizendo com voz doce: Não é melhor ver pela TV?

Mãe é mãe, como já dizia o filósofo e assim tudo o que conseguia responder era: ” Mãe, o que espero do futebol é a poesia!”

Não lembrava de quem era a frase e nem sabia o que estava dizendo, mas era só o que meus nervos me permitiam falar.

Após ouvir com fingida atenção às 412 recomendações, saio de casa em direção ao estádio do Morumbi. Era o dia.

Antes, uma passada na casa de um amigo, juro, pensei em trocar seu nome, conceder-lhe o direito ao anonimato, mas mudei de idéia e o nome verdadeiro do sujeito é Marcelo Hazan.

Marcelo Hazan!

Treze letras, diria um antigo técnico e numerólogo do futebol brasileiro.

– Não professor! São doze, eis o problema, são só doze.

Marcelo é um sujeito tranqüilo e acreditem: quando fica nervoso aparenta estar ainda mais tranqüilo. Torcedor do Santos, companheiro de sofrimento em várias disputas, parceiro ideal para este tipo de jogo, aliás, não há tipo de jogo nenhum, esse jogo é pura e simplesmente o jogo. Além do mais, estávamos com sorte, pois na semana anterior acompanhamos no mesmo estádio, a vitória de nosso time no primeiro dos jogos finais.

Trânsito tranqüilo, tranqüilo até demais. Chegamos 90 minutos antes dos 90 minutos que seriam os 90 minutos mais importantes de nossas vidas e eu reclamava como se estivesse numa fila do INSS de 90 metros aos 90 anos: Não vamos conseguir estacionar, vamos ter que deixar o carro lá em Santa Cruz de La Sierra, lembrei de minha mãe e mais do que rápido pensei: “Deixe estar, o que espero do futebol é a poesia!”

– Calma, dizia suavemente Marcelo. Calma.

Como é que alguém pode estar calmo num dia como esse? Mas foi só me acalmar ou fingir que me acalmava que a vaga surgiu, vaga de estacionamento.

Em verdade, o estacionamento em questão é um barranco em frente ao estádio do Morumbi, mas em certas ocasiões, é melhor um barranco do que nada. Estacionamos, pagamento adiantado, dez reais e a garantia de que nosso carro ficaria seguro até a volta. Maravilha.

Ingressos.

– Marcelo, onde estão os ingressos?

– Estão aqui no meu bolso. Respondeu.

Por ser vizinho ao Pacaembu, Marcelo acabava quase sempre com a incumbência de conseguir os ingressos, o velho estádio municipal servia de bilheteria a jogos maiores no Morumbi. Por uma dessas razões “que a própria razão desconhece”, eles acabaram muito rápido.

Marcelo me telefona e diz:

–  Não tem mais ingresso!

Inconformado, me ponho a pensar como é que estes ingressos acabam, deixando a impressão de acabarem exatamente meia hora antes de se iniciarem as vendas.

Só nos resta a velha figura do cambista.

– Tem algum aí? Perguntei.

– Uns dois mil. Responde Marcelo.

Bom é o jeito, afinal de contas, era o jogo.

Foi assim que o par de ingressos foi parar no bolso do Marcelo, não esqueçam, Marcelo Hazan, doze letras.

“Engoli” uma cerveja quente vendida por 2 reais por um ambulante em mais ou menos doze segundos. Desta vez o calmo Marcelo “Doze Letras” estava nervoso de verdade: “Vamos, a fila está grande demais!” Resmungava.

Fomos. A fila era grande, mas a polícia trabalhava rápido e a velocidade era maior que a habitual.

É hoje, pensava.

Nem dez minutos de fila e já estamos passando pela revista.

– Ingresso na mão – berra o gentil policial.

Marcelo me deu o ingresso, passo pela revista e com uma empolgação só comparável à da primeira vez, num estádio é claro, corro em direção à “catraca eletrônica”. Tento enfiar o ingresso na fresta destinada a isso, não entra.

Ainda bem que rapidamente percebi o problema:

–  “Senhor, esta catraca está com defeito, já tentando a outra, e esta aqui também” concluo brilhantemente.

Procuro Marcelo, está desolado

–  Viu moço, a dele também está quebrada, disse.

– Senhor, seu ingresso é falso, diz o policial.

Os dois segundos que levei para esboçar qualquer reação pareceram suficientes para escrever uma dissertação de mestrado.

– Falso?

– Deve estar havendo um mal entendido. Vim de Ribeirão Preto pra ver esse jogo, comprei o ingresso lá e o senhor vem com essa história de que meu ingresso é falso – crente que a mentira fosse me ajudar.

– Pago meus impostos e esse ingresso não pode ser falso!

– Dirija-se ao setor de reclamações ao lado senhor. Disse calmamente o policial.

O “setor de reclamações” era um tanto improvisado. A fila para reclamar era quase que do mesmo tamanho que a fila da entrada. A saída foi me livrar do resto de educação que tinha e “furar” a fila.

Sucesso! Começo a argumentar com um capitão da Polícia e pensava “Ele não resistirá à minha argumentação que era ,mais ou menos, a seguinte:

– Oficial, esse ingresso não é falso e se por uma dessas tragédias da humanidade, for, a vítima sou eu. Então, na condição de vítima tenho que entrar.

– Entendo sua situação senhor e tendo a concordar. Com o senhor e com mais umas duas mil pessoas que tiveram a mesma falta de sorte.

– Então podemos entrar?

– Não!

– Que absurdo, então a polícia protege o trabalho dos cambistas, dizia já em desespero.

Valia tudo já que tudo parecia estar perdido, até o risco de uma prisão por desacato.

Pra minha surpresa o capitão responde calmamente

– Quem protege os cambistas são vocês que compram ingressos deles, além do mais, estou aqui preocupado com segurança, se duas mil pessoas entrarem onde não cabe mais nem pensamento e o estádio desabar a culpa será minha, nem do senhor, nem do cambista.

O jeito era me conformar, descendo cabisbaixo a rampa de acesso noto um princípio de tumulto, a torcida vai tentar forçar a entrada.

Entramos no meio da confusão sem sucesso e o pior, o olhar de reprovação do capitão era algo pior do que ser preso por desacato.

Plano B

“Doze Letras” e eu rumamos ao barranco, ainda faltavam 30 minutos para o jogo e íamos pegar o carro e procurar algum lugar para assistir à partida. Pensava comigo: “Isso é praga de mãe”.

Chegando lá… Os dois segundos que demorei a falar um palavrão dariam pra duas dissertações de mestrado. Do lado direito de nosso carro, outro carro. Do esquerdo, mais outro. À frente mais um do mesmo modelo, aliás, do que estava atrás, um carro chamado Prêmio, que belo Prêmio, aliás, dois Prêmios, um atrás outro na frente. Estávamos cercados!

“Doze Letras” quis gritar, mas em cima eu falei:

– Calma! Vamos achar uma TV.

Amigos, vocês já procuraram uma TV nos arredores do Morumbi? Não há um mísero bar de meia porta, nada.

A esperança era a avenida que dá acesso ao estádio. Ali deveria haver um bar.

A incessante procura me fazia pensar que achar uma TV funcionando no fundo do mar deveria ser mais fácil, até que numa dessas peruas que vendem cachorro quente, surge uma pequena TV portátil, “Santo comércio informal!”

Nos aproximamos da TV em preto e branco, um legítimo modelo paraguaio. Nesse momento, exatamente nesse momento, um jovem jogador santista corre com a bola, o adversário atônito só consegue recuar de medo. Sete! Por sete vezes ele passou o pé por cima da bola num lance conhecido como pedalada, não houve outro jeito: penalidade máxima a favor do Santos.

Maravilha. Mais maravilhoso seria se não estivéssemos cercados de torcedores adversários.

– Não! Gritei.

– Não pode ser, não foi nada, o moleque se jogou! Dizia convicto.

Já estava me acostumando, algumas semanas antes fomos a um jogo das quartas de final contra o São Paulo, Marcelo havia comprado ingressos de cambistas e daquela vez eram verdadeiros.

Pena que fossem pra torcida do São Paulo. Depois daquilo qualquer encenação me parecia possível.

Vai o garoto, bate o pênalti e é gol! E que golaço!

Abraço Marcelo e grito:

– Não esquenta que nós vamos virar, rindo por dentro.

Já havia perdoado Marcelo, estávamos ganhando e depois ele não tinha culpa de ter um nome de doze letras, o que poderia fazer, mudar o nome?

Ora, Marcello assim com dois “éles” parece nome de cantor de música de gosto duvidoso, a outra opção Marcelo Shazan, me parecia mais interessante, mas ele não gostava.

Bom foi aí, “lamentando” o gol do meu time que ouvi uma voz::

– Vamos sair daqui porque eles vão descobrir.

– Descobrir o quê? Indaguei

– O óbvio ululante.

– Mas não há outra TV por aí…

– Vamos, vai ser melhor! Dizia-me convicto.

Fomos. Rumamos à entrada da torcida do Santos. Só havia rádio, nada de TV por perto. O jeito era se conformar e ouvir.

Era uma certa volta no tempo. O rádio despertara em mim a paixão pelo futebol e pelo Santos significando uma espécie de portal encantado ao mundo do estádio, na infância, inacessível. Coincidência ou não lá estávamos nós, de novo.

O homem que me convenceu a sair de perto da TV era um tanto intrigante, parecia agitado, fumava e olhava para os lados como que procurando alguma coisa.

– O senhor também não conseguiu ingresso?

– “Não preciso de ingresso para entrar”

– E não dá pra arranjar um jeito da gente entrar? Perguntou Marcelo

– “Não, esse tipo de acesso vocês ainda não podem ter”

Pensei calado: “O velho elitismo presente no futebol e esse cara é carioca(o sotaque entrega) vai ver é da CBF”

– E o que faz aqui fora? Perguntei.

– “Estou procurando uma pessoa.”

– Quem? Como ele é? Estou aqui fora faz tempo, talvez o tenha visto.

– Não, não creio!

O jeito era pensar no jogo, termina o primeiro tempo e o Santos ganha por 1 a 0.

Marcelo, nervoso, pergunta se “vai dar” pra ganhar, de dois em dois minutos. Respondo sempre que não sei, não sei.

O velho, irritado, diz.

– Chega de humildade rapaz! Chega de usar as incômodas sandálias da humildade. É que vocês perderam demais, o santista é uma espécie de Narciso às avessas, é hora de deixar de ser vira-latas!

Depois de tudo o que passamos, agora vem esse velho sei lá de onde e fica disparando ofensas.

Antes que pudesse reagir, ele continua.

– Só um quadrúpede de 28 patas não percebe que está tudo escrito. Que o Santos vai ser campeão hoje está escrito há mais de seis mil anos. Quarenta anos antes do nada e do paraíso estava escrito que o Santos seria campeão hoje. Só lorpas e pascácios não entendem o óbvio ululante, está escrito”

A convicção era tanta que fomos nos acalmando. Veio o segundo tempo e o jogo seguia tranqüilo… o velho, não!

– Desculpe, estamos falando há um tempão e nem nos apresentamos, qual o seu nome? Perguntei.

– Nelson! Respondeu seco.

– Muito prazer seu Nelson, meu nome é Alessandro Rodrigues Pinto e esse é Marcelo Hazan”.

– Doze letras, né?

Aos poucos seu Nelson foi se soltando, diz que torcia pelo Fluminense, brinquei dizendo que já havia ouvido alguém falar nesse time que existiu há algum tempo.

– Só os idiotas da objetividade não podem ver que o Fluminense é um time fadado à vitória eterna! Conclui.

– Mas se torce pelo Fluminense o que veio fazer aqui? Indagou Marcelo.

– Estou numa missão especial tenho que achar uma pessoa. Não era pra mim essa missão, mas o companheiro encarregado da tarefa, o Gravatinha, anda meio deprimido por causa do Fluminense.

– E esse seu amigo está aí dentro? Pergunto.

– Não sei e não é meu amigo!  Nesse momento o outro time empata a partida.

– Está! Agora sei que está.

– Ele torce pra “eles”? Pergunto.

– O sujeito é tão torpe que não torce pra ninguém, só atrapalha.

– Nossa!

 – É o velho Almeida, Sobrenatural de Almeida, está tentando agir aí dentro preciso encontrá-lo!

A essa altura pensava que depois de tudo só me faltava ficar um tempão conversando com alguém que tem um amigo imaginário, Sobrenatural de Almeida, quando o adversário marca outro gol.

– Seu Nelson, precisamos achar esse sujeito já!

– Estou tentando me concentrar, o coisa ruim é difícil de marcar, se ao menos o Gravatinha estivesse aqui.

– “E se eu tivesse uma TV!” Diz Marcelo.

– Pra que? A TV é burra, o “vídeo-tape” é burro, não tem a imaginação do olho humano. Acreditem, foi bom ter ficado aqui fora.

– Já sei! Tenho que ir!  Entrega-me um cartão de visitas e some sem dizer se volta.

A essa altura  restava-me afogar as mágoas de mais um título perdido ou manter as esperanças naqueles minutos finais.

Confesso que me aproximava mais da primeira opção quando o som de um rádio, de novo o rádio, se fez mais presente.

O menino das pedaladas outra vez. Uma grande jogada que termina em gol de outro jogador. Corri como se estivesse dentro do campo, numa explosão de alegria que só me permitiria saber que o Santos fizera mais outro gol 90 minutos depois do fim do jogo.

Não havia dúvidas: esse era o jogo, visto ali do “umbral”, mas era o jogo.

Na saída me sentia o recepcionista da festa. Abracei um senador, seus filhos, um cantor de RAP, um monte de gente que conhecia dos anos de sofrimento e outras tantas que via pela primeira vez.

Depois choveu, choveu muito por horas seguidas.

Em tempo: o adversário era o nosso maior rival: o Corinthians. A vitória por 3 a 2 nos dava o título brasileiro de 2002.

Confesso que deste jogo não vi mais que os gols e não sei se criarei coragem de ver o “vídeo-tape” um dia.

Ele é burro e tenho medo de apagar de minha memória todas as cenas do melhor jogo que não vi.

Já ia esquecendo o cartão do seu Nelson dizia:

“O que nós procuramos no futebol é o sofrimento. As partidas que ficam, que se tornam históricas, são as que mais doem na carne, na alma”

E no verso:

“O que espero do futebol, é a poesia! Assim na Terra como no Céu. Amém

Nelson Rodrigues[1]

 


[1] As frases atribuídas à Nelson Rodrigues foram extraídas, com o mínimo possível de alterações, de suas crônicas. Ressalta-se que a idéia não é original, em Sussekind(1996) e em Rodrigues(2002) encontram-se “crônicas póstumas”

Todo o resto é verdadeiro.

Singela homenagem ao aniversário de 6 anos do título do BR-02 e àquele time, raro poema

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Nossa, que surpresa!

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E Muricy Ramalho, finalmente, caiu!

Não que eu seja daqueles que o acham ultrapassado, ruim etc. Tampouco, penso que o “não olhar para a base” fosse motivo para torcer pela queda, como muitos outros santistas fizeram.

Ao contrário, acho Muricy um grande treinador. Se não achasse, o dólar continuaria onde está. A carreira, os números e os títulos do pouco simpático professor (considero uma virtude em tempos em que imagem supera performance) falam por ele. Minha opinião não o deixaria mais rico e nem, certamente, mais pobre.

Ocorre que a queda do técnico e de seu bordão “aqui é trabalho” está atrasada em pelo menos um ano. E creio que isso é mais importante do que parece.

Muricy chegou ao Santos num momento delicadíssimo, o clube optara equivocadamente por Adilson Batista, claudicava na Libertadores, apesar do elenco qualificado e caro. Ele veio na fogueira, venceu e trouxe o improvável título da Libertadores. Nada fez no Brasileiro, ninguém faria.

Além do torpor normal trazido pelo título sulamericano, e a contusão de Ganso, seguidas convocações de diversos atletas, entre eles Neymar, esfacelaram o time. Perdemos do Barcelona , de forma humilhante. Não sei se poderia ser diferente.

Vieram 2012, o título paulista e a boa campanha na Libertadores até a eliminação para o Corinthians (na Vila Belmiro, principalmente). O que vimos a partir daí?

Um desmanche. Saíram Fucile, Elano, Ibson, Borges, Ganso e vieram João Pedro, André, Patito (RISOS), entre outras feras. A diretoria, ou o Conselho de Gestão (CG) para parecer mais moderno, sinalizavam aí o que ocorria. Chegamos ao ápice, era necessário (era?) reformular e o processo foi bastante mal conduzido. Culpa do treinador? Duvido.

Veio 2013, acabou-se o centenário (ele existiu, lembram? (teve até um show do Chitaozinho e Xororó)), e a sensação de “agora vai” voltou, o resultado foi o que vimos até agora com Cícero, Montillo (quanto custou?), Willian José etc.

Não leiam estas mal traçadas linhas como quem lê um lamento. Acompanho, de perto ou de longe, o futebol há muitos anos para entender que as coisas neste esporte obedecem ciclos. O Santos iniciou um, muito vitorioso, em 2010 e o encerrou em maio de 2012. Ali devia ter decidido pela saída, ou manutenção longa do trabalho do treinador. Este, deveria ter ciência de que reforços não viriam e deveria saber se lhe convinha ou não permanecer.

Ao optar por mantê-lo com Neymar e mais “ninguém”, o CG ganhou um ano de esperança vã de que a decadência poderia ser revertida a qualquer momento.

Ao demiti-lo hoje, o mesmo CG transfere os holofotes às especulações em torno de um novo técnico, certo de que dúvidas sobre, por exemplo, as operações financeiras tanto no jogo de Brasília como na venda de Neymar ficarão em segundo plano.

Pouco me importa quem substituirá Muricy. Ao Santos, com este elenco, cabe brigar para permanecer na divisão de elite e isso ocorreria com ou sem o treinador ranzinza. Prefiro, por ora, ver o boletim financeiro do jogo contra o Flamengo (que insiste em não estar publicado até o momento de publicação deste texto) e necessito saber por quanto se vendeu Neymar.

Por quanto, de fato, desistimos do projeto revolucionário que quebrava paradigmas no futebol mundial? Por quanto desistimos de vender o espetáculo para voltar a vender artistas?

Não, não sairão 6 ou 7 jogadores da base para encantar o Brasil nos próximos meses. Isso não acontece no futebol e nem no Santos (olhe bem pra história recente e observe a periodicidade e o contexto em que revelações surgiram).

Que tenhamos paciência e esperança, virtudes de quem ama, mas que não nos esqueçamos de que no futebol, como na vida, a verdade vem com o tempo.

Comemore aí a saída do Muricy, ele permanecerá na história do Santos como um vencedor, doa a quem doer. Mas estejamos atentos a este processo tardio de renovação que se inicia, dele depende nosso futuro próximo onde esperamos voltar a vencer. O momento é de tensão e de muita, muita atenção.

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O preço das pedaladas

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Muito se fala nestes dias sobre a volta de Robinho ao Brasil e ao Santos, particularmente.

Em meio a muita especulação, as opiniões se dividem. De um lado, os fãs do “Pedalada” ávidos para que o time, após um ano difícil, volte a ser protagonista em 2013. De outro, uma corrente não menos apaixonada e nem menos fã do jogador, quero crer, defende uma linha supostamente mais racional estimulada por parte significativa da imprensa especializada. A estes, o Santos estaria fazendo loucuras ao arcar com gastos deste porte.

Longe de mim querer dizer quem está com a razão. Bons argumentos há de ambos os lados.

O problema é que às vezes certas distorções e certos preconceitos saltam às discussões apaixonadas vestidos de argumento. Aí temos um problema.

Há muitas variáveis envolvidas, vamos às que minhas limitações me permitem ver.

1)      O atual momento da direção

Há, como é típico no futebol, um exagero na análise do trabalho de LAOR. Positivamente, quando o time esteve ganhando tudo em 2010/11 e negativamente em 2012, quando o time ganhou também. Há, como causa e ao mesmo tempo desdobramento, certa instabilidade administrativa e, principalmente, política.

A somatória de fatores negativos, vareio do Barcelona, derrota para o Corinthians e a perda de Ganso para o São Paulo, no ano de centenário (discretamente comemorado), encerrou a lua de mel com a torcida, proporcionou questionamentos legítimos e necessários, bem como, o surgimento de toda uma gama de oportunistas.

O time foi desmanchado, o que é sempre inevitável, em que pese o momento inadequado em que o desmanche se deu.

Pois bem, com tudo isso, muitos consideram este o primeiro momento em que a direção capitaneada por LAOR tenha que, de fato, agir. Agir é contratar.

O que fazer? Abandonar o discurso de não gastar mais que arrecada ou insistir nesta tese deixando ao tempo a responsabilidade de provar quem estava certo?

 

2)      Orçamento

Um time de ponta gasta algo entre 6 a 8 milhões de reais por mês com o futebol profissional. Algo entre 70 e 100 milhões por ano. Se não gastar não é de ponta, e se não for de ponta, não ganha. Simples.

Mas em 2002… Por favor, os últimos dez anos do futebol brasileiro representaram uma revolução secular. O que aconteceu lá não se repetirá, inclusive pela maior racionalidade do calendário (ainda uma lástima, mas melhor que antes) e das formas de disputa.

O Santos gastará valores nesse patamar, com ou sem Robinho, gostemos ou não.

Detesto falar em salário de jogador ou de quem quer que seja, é uma deselegância monstruosa, mas vejamos: (Elano + Borges + Alan Kardec + Fucile + Ibson + Juan + Renteria + Ganso) só aí, numa conta conservadora, temos a economia de quase 2 milhões por mês.Robinho ganharia menos da metade disso, vale?

Além disso, há o valor requerido pelo Milan, supostamente 10 milhões de euros o que equivale ao “dinheiro do Ganso”. É muito?

Se imaginarmos que a eventual transação seria a última da carreira de Robinho, num contrato de 3 anos com opção de renovação automática por mais 2, teríamos o custo de 4 milhões de reais, um pouco mais, por ano. Uma boa forma de entender o quanto isso vale é olhar para outros exemplos em que o clube investiu em direitos econômicos: Elano, Ibson, Henrique, Patito, André… E aí, vale?

 

3)      Finanças, direitos econômicos e marketing

Uma breve olhada às análises de balanços financeiros dos maiores clubes do Brasil mostra que a importância dos chamados direitos econômicos (venda) de jogadores é cada vez menor. Isso porque temos encontrado, aos poucos, outras formas de sobreviver. Também porque o mercado europeu vive grande crise.

Há exceções, pontuais, como Lucas.

Em geral, valores importantes são obtidos com jogadores jovens, na primeira “venda”.

Os cofres do clube poderiam estar cheios com a venda de Neymar, entendo ter sido um grande acerto mantê-lo, quebrou-se mesmo um paradigma, mas há um outro ônus. Tudo o que Neymar pode continuar trazendo de bom ao clube requer que o Santos continue vencendo.

Há um bônus, além da parte técnica, holofotes voltam-se ao Santos por causa de Neymar, a exposição é maior e quem estiver com o clube beneficia-se disso, não o contrário como andam dizendo por aí. Em síntese, as possibilidades da exploração da imagem de Robinho, do Juquinha e da minha avó,  são maiores com Neymar. É só trabalhar.

É perfeitamente possível que (boa) parte dos recursos para o pagamento de salários de Robinho venha do mercado publicitário (longe de estar em sua melhor fase com o futebol). Depende dele, depende do Santos, Neymar só ajuda.

Outro detalhe, Robinho pode ajudar a valorizar jogadores como Felipe Anderson ou Vitor Andrade?

 

4)      Robinho x Montillo

Eu deveria rir. Não o farei porque talvez  não veja o que outros companheiros estão vendo. Robinho ganhou tudo no Santos, é identificado, líder e ídolo. Gosta do clube.

Robinho tem uma Copa a disputar com a Seleção, alijado injustamente seja por problemas com patrocinador ou miopia do “professor” que andou por lá, ele precisa voltar. Não há sentido em qualquer questionamento de ordem técnica ou de motivação.

Sobre o argentino, muito bom jogador apesar da temporada discretíssima realizada em 2012, seria bom se viesse. Tem a idade de Robinho, nenhuma identidade com o clube e o carisma de um ponto de ônibus.

Que venha e seja bem-vindo, mas nem por 10, nem por 5 milhões. E nada me fará aceitar a ideia de que “é um ou outro”, a comparação é impossível, laranja não é banana e a banana não come macaco.

 

5)      A negociação

Haverá muita especulação, a intenção do Milan é inclusive aumentá-la. Os italianos são muito parecidos conosco nesse sentido, não esperem por discrição, quanto mais barulho melhor. Eles querem leilão.

Discreta tem sido, nesse caso, a direção do Santos, fato que merece todos os aplausos. Sou da opinião que todo dirigente deveria, como media training, enclausurar-se por uma semana em algum monastério  podendo falar apenas uma frase “Só falo sobre jogador contratado” e adotar o mantra pro resto da vida e em todas as situações, até no McDonalds “Número 1 ou número 2 senhor? – Só falo sobre jogador contratado!”

Bem, se não tiver ficado claro ainda, vai em caixa alta minha humilde opinião: VOLTA ROBINHO!!!

Espera-se, entretanto, que a decisão se dê em bases racionais (e acho possível trazê-lo com o cérebro ao invés do fígado) e não por pressões, venham de onde vier. É necessário não gastar mais do que se arrecada, portanto, é preciso arrecadar mais. Robinho ajuda.

Que 2013 seja um ano abençoado ao Robinho, ao Santos F.C.,  a todos nós santistas e pra todo mundo. Até lá.

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A dança e a alma*

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 E não é que as coisas mudaram pros lados da Vila Belmiro?

Objetivamente, aconteceu pouco. A classificação no Brasileiro continua ruim, o futebol oscila e alguns problemas estruturais do time não serão resolvidos tão cedo (a lateral esquerda é um deles), mas o clima está, indubitavelmente, mais leve.

As redes sociais são sempre um bom termômetro e hoje, no lugar das agressões que vinham se tornando comuns, “fora esse”, “fora aquele”, percebi várias exaltações aos meninos da Vila, à volta da alegria.

De onde vem isso?

Vem de Patito, menino argentino, que entrou feito um raio de luz na noite do último Sábado no Pacaembu. Vem da contratação de André, menino da Vila, finalmente uma reposição de nível superior.

Sim, André é melhor que Borges. Se tiver juízo fora de campo, tem todas as condições de estar inclusive na Seleção Brasileira na próxima Copa.

Falando em Seleção, é desse amontoado de jogadores, sisudos, tristes e tensos que vem a melhor das boas notícias, vem a jato, vem Neymar.

E aí a gente conclui que dá pra sonhar de novo, que dá pra ser feliz de novo e que não há tristeza que dure pra sempre. Assim é o futebol, assim é a vida. Que bom!

Alguns perfis santistas no Twitter criaram a tag #AVoltaDasDancinhasDoSantos , achei ótimo, mas haverá os críticos de sempre. Há quem veja nisso menosprezo, falta de seriedade, de compromisso. Há quem veja nisso, inclusive, a razão para os males do futebol nacional que têm como símbolo maior a triste Seleção.

São pobres de alma.

Feio é jogar sem alegria, feio é jogar com a bunda no chão, feio é esquecer que independente do resultado que virá, é possível ser feliz e fazer história jogando futebol e que sim, é possível dançar.

Não sei pra onde vai o Santos este ano, o título, como já mostramos aqui no blog é praticamente impossível. A classificação à Libertadores exigirá uma campanha de campeão, irrepreensível, e é muito difícil. Montar um elenco para 2013 é, racionalmente, o mais recomendável. Mas não sei.

Não sei pra onde vamos e nem se conseguiremos vencer o Figueirense esta noite, ou o clássico – tão simbólico – do próximo fim de semana,  mas sei que hoje acordei com uma expectativa diferente em relação ao Santos, nem sabia o que era até os “meninos” do twitter me lembrarem e aí lembrei de Drummond, de quem roubo o título para esse post, que disse sobre a dança:

 

um estar entre céu e chão,

novo domínio conquistado,

onde busque nossa paixão 

libertar-se por todo lado…

 

Era o que tinha a dizer. #vaipracimadelesSantos

 

PS Ganso: Desse caso não vou dizer mais nada. Queria muito que você percebesse o quanto perde ao se deixar manipular por quem te cerca. Ninguém gosta mais de você do que sua família, nossa torcida é parte dela. Volte, bem-vindo, brilhe e se tiver de sair que seja dançando, pela porta da frente.

* veja o poema na íntegra

** foto “roubada” do blog do Odir

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Riquelme + 10!

ImagemNão sou de comentar especulação, acho que não é correto, especialmente se você trabalha ou dirige um clube, mas convenhamos, se especulação de contratação de futebol fosse esporte, o Brasil seria medalha de ouro.

Soube por fonte segura – e acho que todos souberam – que Roman nos foi oferecido durante a janela de transferências. Soube por fonte segura que o Santos negou a contratação alegando que o craque argentino não se enquadrava no perfil de talentos buscados pelo clube.

Ao que parece, graças ao fracasso nas inúmeras contratações tentadas ou ao menos especuladas, o perfil mudou e Riquelme pode, de fato, estar chegando.

Seja pela razão que for, minha opinião é que trata-se de uma excelente contratação.

Primeiro porque é craque. Segundo, e não menos importante, é contratação de alto impacto midiático, uma forma do Santos ter uma exposição mais positiva nos meios de comunicação e de conseguir melhores públicos, especialmente rendendo-se ao óbvio e jogando mais no Pacaembu.

Por fim, vejo que a simples presença do craque portenho no CT Rei Pelé, ajudaria muito aos jovens jogadores que tentam ainda se firmar, do tipo “Felipe Anderson, olhe e aprenda”.

Espero que o plano B, C ou D da direção santista não seja mais um naufrágio de nosso navio centenário e possa ser em breve comemorado. Então, por ora, é Riquelme e mais 10. Aos outros 10:

1)   Rafael Moura: que bom que não vem mais. Nada contra o centroavante que é forte, voluntarioso e nada mais. É que pela grana que vinha sendo especulada você criaria dois problemas, o primeiro o de pagar e o segundo, mais grave, o de explicar a quem ganha menos o motivo da diferença. Era uma tentativa desesperada de contratar um jogador que a mim não é sequer melhor que Bill. Em tempo, He-man fez 21 gols pelo Fluminense em 2011 e Bill, 25 pelo Coritiba.

2)   Patito: Isso me lembra Usuriaga!

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Aos mais jovens, Usuriaga era um colombiano forte que chegou como grande esperança naquele combalido Santos de 1996. Em 22 de agosto fez sua única partida, na vitória contra o Fluminense (1 x 0) que testemunhei no Ícaro de Castro Melo (Ibirapuera) onde não se joga mais. Problemas de documentação fizeram o jogador ser devolvido. Espero que essa triste lembrança seja só isso mesmo. Mas que parece, parece.

3)   Neymar: Arrebentando em Londres, como de costume.

Me entristece um pouco perceber esse movimento de responsabilizá-lo quase que exclusivamente pelo sucesso ou insucesso da Seleção, olímpica ou principal. Ele vai precisar de muita estrutura até a Copa, é um menino, devemos lembrar. Nunca escondi que não aprovo Mano Menezes e seu medíocre currículo no comando da Seleção, mas não consigo torcer contra, por Neymar. Que venha o ouro!

4)   Muricy: Finalmente assinou a renovação do contrato no qual dizem haver uma cláusula de liberação em caso de Seleção Brasileira. Normal, mas não estranharia se ele não terminasse o ano no Santos em caso de insucesso nos Jogos Olímpicos. É preciso estar atento.

5)   Muricy (2): Voltou a girar a metralhadora após a vitória sofrida contra a Ponte. De curioso, o fato de pela primeira vez o nome de Felipe Faro – superintendente de futebol – ser citado pelo técnico. Coincidência ou o técnico, ciente do grande poder que tem junto aos meios de comunicação, resolveu começar a dar nome aos bois direcionando suas criticas? Aguardemos!

6)   Anderson Carvalho: Esse rapaz foi tão bem nas poucas oportunidades que teve no Paulista e sumiu. Espero que os desfalques de Adriano, Arouca e talvez Henrique, possam significar nova oportunidade ao jogador.

7)   Victor Andrade: Que beleza! Acho que estamos diante do nascimento de um novo craque. Devemos mesmo ter calma, mas empolga ver a tranqüilidade do menino de 16 anos, quarto jogador mais jovem a estrear em 100 anos (perde para Edu, Clodoaldo e Pelé). Evoé!

8)   Renda: O Santos F.C., clube centenário e conhecido em todo o planeta, PAGOU R$ 14.470,47 para jogar diante da Ponte Preta. Esse foi o resultado liquido da renda proporcionada por 4.261 pagantes no último domingo.

Tirem suas próprias conclusões, já me manifestei sobre o tema (aqui).

Apenas para constar, o Pacaembu estava livre.

9)   Aproveitamento: Atualizando a análise que fizemos no post anterior. O Santos precisa hoje das seguinte medias de aproveitamento:

  • Para escapar do rebaixamento o Santos precisará de 40% dos pontos que restam em disputa
  • Para o título: 76%
  • Para a Libertadores: 64%

10) Ganso: Soube há pouco de que o atleta corre risco de ser cortado da Seleção por nova (?) contusão. É mais do que falta de sorte.

Não sou médico e nem Mãe Dinah, mas aparentemente, o rapaz precisará de cuidados especiais ao longo de toda a carreira. Imagino que a cabeça atrapalhe também.

O presidente LAOR, que voltou a falar diariamente, vem dando a entender que o ciclo de Ganso na Vila está encerrado. Não concordo com essa postura já que mesmo sendo verdade, desvaloriza o atleta no mercado e junto ao torcedor. Foi o que tentei dizer aqui, falando longamente sobre o assunto.

Me impressiona que ninguém seja capaz de fazer que o camisa 10 veja o mal que está fazendo a si próprio (e como é mal assessorado). Futebol profissional é performance e imagem, às vezes até mais imagem. Vejam o paradoxo, Neymar ganha milhões e tem a imagem do desapego de quem joga com alegria – a ponto de recusar ofertas do exterior – Ganso, ganhando uma “merreca” é tido como mercenário. Será difícil desvencilhar-se disso, uma pena.

No mais, sugiro ao Santos serenidade, calma e insistência para não deixar o garoto sair pelos fundos. Se for impossível, ao mercado nacional, nada menos que a multa.

Era isso, até a próxima.

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