O preço das pedaladas

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Muito se fala nestes dias sobre a volta de Robinho ao Brasil e ao Santos, particularmente.

Em meio a muita especulação, as opiniões se dividem. De um lado, os fãs do “Pedalada” ávidos para que o time, após um ano difícil, volte a ser protagonista em 2013. De outro, uma corrente não menos apaixonada e nem menos fã do jogador, quero crer, defende uma linha supostamente mais racional estimulada por parte significativa da imprensa especializada. A estes, o Santos estaria fazendo loucuras ao arcar com gastos deste porte.

Longe de mim querer dizer quem está com a razão. Bons argumentos há de ambos os lados.

O problema é que às vezes certas distorções e certos preconceitos saltam às discussões apaixonadas vestidos de argumento. Aí temos um problema.

Há muitas variáveis envolvidas, vamos às que minhas limitações me permitem ver.

1)      O atual momento da direção

Há, como é típico no futebol, um exagero na análise do trabalho de LAOR. Positivamente, quando o time esteve ganhando tudo em 2010/11 e negativamente em 2012, quando o time ganhou também. Há, como causa e ao mesmo tempo desdobramento, certa instabilidade administrativa e, principalmente, política.

A somatória de fatores negativos, vareio do Barcelona, derrota para o Corinthians e a perda de Ganso para o São Paulo, no ano de centenário (discretamente comemorado), encerrou a lua de mel com a torcida, proporcionou questionamentos legítimos e necessários, bem como, o surgimento de toda uma gama de oportunistas.

O time foi desmanchado, o que é sempre inevitável, em que pese o momento inadequado em que o desmanche se deu.

Pois bem, com tudo isso, muitos consideram este o primeiro momento em que a direção capitaneada por LAOR tenha que, de fato, agir. Agir é contratar.

O que fazer? Abandonar o discurso de não gastar mais que arrecada ou insistir nesta tese deixando ao tempo a responsabilidade de provar quem estava certo?

 

2)      Orçamento

Um time de ponta gasta algo entre 6 a 8 milhões de reais por mês com o futebol profissional. Algo entre 70 e 100 milhões por ano. Se não gastar não é de ponta, e se não for de ponta, não ganha. Simples.

Mas em 2002… Por favor, os últimos dez anos do futebol brasileiro representaram uma revolução secular. O que aconteceu lá não se repetirá, inclusive pela maior racionalidade do calendário (ainda uma lástima, mas melhor que antes) e das formas de disputa.

O Santos gastará valores nesse patamar, com ou sem Robinho, gostemos ou não.

Detesto falar em salário de jogador ou de quem quer que seja, é uma deselegância monstruosa, mas vejamos: (Elano + Borges + Alan Kardec + Fucile + Ibson + Juan + Renteria + Ganso) só aí, numa conta conservadora, temos a economia de quase 2 milhões por mês.Robinho ganharia menos da metade disso, vale?

Além disso, há o valor requerido pelo Milan, supostamente 10 milhões de euros o que equivale ao “dinheiro do Ganso”. É muito?

Se imaginarmos que a eventual transação seria a última da carreira de Robinho, num contrato de 3 anos com opção de renovação automática por mais 2, teríamos o custo de 4 milhões de reais, um pouco mais, por ano. Uma boa forma de entender o quanto isso vale é olhar para outros exemplos em que o clube investiu em direitos econômicos: Elano, Ibson, Henrique, Patito, André… E aí, vale?

 

3)      Finanças, direitos econômicos e marketing

Uma breve olhada às análises de balanços financeiros dos maiores clubes do Brasil mostra que a importância dos chamados direitos econômicos (venda) de jogadores é cada vez menor. Isso porque temos encontrado, aos poucos, outras formas de sobreviver. Também porque o mercado europeu vive grande crise.

Há exceções, pontuais, como Lucas.

Em geral, valores importantes são obtidos com jogadores jovens, na primeira “venda”.

Os cofres do clube poderiam estar cheios com a venda de Neymar, entendo ter sido um grande acerto mantê-lo, quebrou-se mesmo um paradigma, mas há um outro ônus. Tudo o que Neymar pode continuar trazendo de bom ao clube requer que o Santos continue vencendo.

Há um bônus, além da parte técnica, holofotes voltam-se ao Santos por causa de Neymar, a exposição é maior e quem estiver com o clube beneficia-se disso, não o contrário como andam dizendo por aí. Em síntese, as possibilidades da exploração da imagem de Robinho, do Juquinha e da minha avó,  são maiores com Neymar. É só trabalhar.

É perfeitamente possível que (boa) parte dos recursos para o pagamento de salários de Robinho venha do mercado publicitário (longe de estar em sua melhor fase com o futebol). Depende dele, depende do Santos, Neymar só ajuda.

Outro detalhe, Robinho pode ajudar a valorizar jogadores como Felipe Anderson ou Vitor Andrade?

 

4)      Robinho x Montillo

Eu deveria rir. Não o farei porque talvez  não veja o que outros companheiros estão vendo. Robinho ganhou tudo no Santos, é identificado, líder e ídolo. Gosta do clube.

Robinho tem uma Copa a disputar com a Seleção, alijado injustamente seja por problemas com patrocinador ou miopia do “professor” que andou por lá, ele precisa voltar. Não há sentido em qualquer questionamento de ordem técnica ou de motivação.

Sobre o argentino, muito bom jogador apesar da temporada discretíssima realizada em 2012, seria bom se viesse. Tem a idade de Robinho, nenhuma identidade com o clube e o carisma de um ponto de ônibus.

Que venha e seja bem-vindo, mas nem por 10, nem por 5 milhões. E nada me fará aceitar a ideia de que “é um ou outro”, a comparação é impossível, laranja não é banana e a banana não come macaco.

 

5)      A negociação

Haverá muita especulação, a intenção do Milan é inclusive aumentá-la. Os italianos são muito parecidos conosco nesse sentido, não esperem por discrição, quanto mais barulho melhor. Eles querem leilão.

Discreta tem sido, nesse caso, a direção do Santos, fato que merece todos os aplausos. Sou da opinião que todo dirigente deveria, como media training, enclausurar-se por uma semana em algum monastério  podendo falar apenas uma frase “Só falo sobre jogador contratado” e adotar o mantra pro resto da vida e em todas as situações, até no McDonalds “Número 1 ou número 2 senhor? – Só falo sobre jogador contratado!”

Bem, se não tiver ficado claro ainda, vai em caixa alta minha humilde opinião: VOLTA ROBINHO!!!

Espera-se, entretanto, que a decisão se dê em bases racionais (e acho possível trazê-lo com o cérebro ao invés do fígado) e não por pressões, venham de onde vier. É necessário não gastar mais do que se arrecada, portanto, é preciso arrecadar mais. Robinho ajuda.

Que 2013 seja um ano abençoado ao Robinho, ao Santos F.C.,  a todos nós santistas e pra todo mundo. Até lá.

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