Aqui é trabalho?

Técnico fica até 2013. Isso é bom?

Amigos, os dias ainda são difíceis para a comunidade santista.

Há um clima de expectativa em relação às contratações que possam suprir as recentes saídas de jogadores como Elano e Borges. A novela Ganso continua, deixando a impressão de que o final ainda está bem distante.

Em campo, algumas melhoras com a vitória sobre o Grêmio e o até que bom 2º tempo contra o Inter-RS,  em Porto Alegre.

Das novidades, em meio aos desencontros de informações sobre reforços, destaca-se a notícia da renovação do contrato de Muricy Ramalho até o final de 2013. Boa notícia?

Pelo que ouço e leio por aí, especialmente nas redes sociais, há uma divisão de opiniões sobre a permanência do treinador, certamente ainda influenciada pela triste eliminação na Libertadores. Ainda se ouve e se lê que o time é uma porcaria, que a diretoria é inútil etc. Até pedidos de “fora LAOR” andaram aparecendo por aí. Um absurdo, diga-se.

Entendo o lado passional do torcedor porque também sou torcedor, mas pra tudo há limites. O presidente foi eleito com aproximados 90% dos votos, nos termos do estatuto aprovado pela Assembleia Geral de sócios. Teve uma gestão vitoriosa até aqui, merece críticas, é fato, como já mereceu os maiores elogios. O “fora LAOR” ainda que seja apenas brincadeira de mau gosto, não é apenas desrespeito ao presidente, mas ao Santos, aos sócios, à torcida e à democracia. Não merece, portanto, mais nenhuma linha. Voltemos ao que interessa, o “fico” de Muricy.

O que dizem os detratores é que o técnico é retranqueiro e avesso ao trabalho com jogadores das categorias de base e que isso vai contra o “nosso DNA”. Dizem que joga feio, falam até num tal “muricybol” para definir o estilo do professor.

Números falam muito e mentem muito também, mas ajudam a entender algumas coisas.

Um técnico retranqueiro dirige equipes que fazem e tomam poucos gols. Não parece ser o caso de Muricy.

Venceu o Brasileiro em 2006 com o time que mais fez gols, chegou muito próximo disso em 2008. Em 2007 o São Paulo fez poucos gols e levou apenas 19 (0,5 por jogo). Já pelo vitorioso Santos de 2011, teve uma de suas médias mais baixas, mas cabe lembrar que pós-Libertadores o time foi esfacelado por diversas convocações da CBF e, praticamente, desistiu de jogar o Brasileiro.

O que chama mais atenção é o fato de, justamente no momento em que é mais criticado, ter sua média mais alta no Santos e na carreira recente.

Mas o que significa a média de 2 gols por jogo?

A média histórica do clube que mais fez gols na história, em 5587 partidas, é de 2,12. A do time bicampeão do mundo em 1963 é de impressionantes 2,65 (verdade que o time tomava 1,71). O Barcelona, em 4 anos de Guardiola, tem média de 2,55.

Comparando com realidades mais próximas, temos o exemplo do festejado Corinthians com 1,37 gols por jogo (59 gols em 43 jogos) em 2012 e o Palmeiras, campeão da Copa do Brasil, com 1,75 (70 gols em 40 jogos). Bom, mas Tite e Felipão são dois outros retranqueiros! Certo?

Então vamos ao ofensivo Dorival Jr. O Inter-RS fez em 2012, 69 gols em 40 partidas (47 em 21 pelo disputadíssimo Gauchão), média de 1,73. Já o líder do Brasileiro-12, Atlético-MG, tem 53 gols em 28 jogos, média de 1,89.

Claro, números são apenas números, mas não ajudam a “acusação” que se faz frequentemente ao nosso treinador.

Mas e as categorias de base? Será verdade que Muricy não gosta de trabalhar com jovens?

Vejamos, o Santos tem 36 atletas profissionais em seu elenco e destes, 15 vêm da base (41%). Exceção feita ao 4º goleiro, Gabriel, todos os outros jogaram ao menos uma vez. Não estou contando Rafael, Neymar, Ganso e Adriano que já estavam prontos quando o técnico chegou e nem jogadores que foram utilizados no Paulista e devolvidos à base ou emprestados.

Há que se considerar a falta de sorte que alguns tiveram com contusões sérias, casos de Pedro Castro, Paulo Henrique e Crystian, por exemplo. Além disso, o argumento do treinador de que é preciso lançar devagar e, preferencialmente, num time equilibrado, me parece bastante sólido. Time grande e vencedor tem pressão e os garotos nem sempre estão prontos para suportá-la.

Da base, às vezes vêm Robinho e Diego, outras vezes Tiago Luis e Alemão (lembram?).

Deposito muita esperança em Felipe Anderson, acho que o garoto está evoluindo muito (inclusive por responsabilidade do técnico) e, em breve, será o dono da 10. Vejo potencial no Dimba, quero ver mais o Geuvânio e espero muito de Vitor Andrade e Pedro Castro para os próximos anos.

Em síntese, não me parece que atitudes de Muricy justifiquem a afirmação de que ele não gosta da base. Ao contrário. Ele quer reforços de peso, você não?

Já deu para perceber que apoio a manutenção do treinador e nem é pelos números aqui apresentados. Não conheço Muricy, mas entre os que o conhecem, há unanimidade em ressaltar virtudes que valorizo muito. É um técnico muito profissional, dedicado (a ponto de quase morar no CT), exerce autoridade sem ser autoritário, não alimenta “panelas” e tem uma conduta reta. Conhece futebol, trabalha e vence.

Tem defeitos também. É teimoso e, muitas vezes, demora demais para mexer no time.

Se saísse hoje, gostemos ou não, estaria marcado na história do clube entre os maiores treinadores. Espero que seja feliz na permanência e muito útil a esse inevitável, ainda que fora de hora, processo de reestruturação.

E você, o que pensa?

fontes: dados do Santos F.C. – site do Clube. Demais clubes: Portal Terra.

Anúncios
Categorias: Uncategorized | 4 Comentários

Navegação de Posts

4 opiniões sobre “Aqui é trabalho?

  1. Ivan Dias

    Já que não colocou o Brasileiro de 2009(pior trabalho da vida do Muriçoca) dou uma ajudinha: 24 jogos, 33 gols pró(média de 1,38) e 31 gols contra. Apesar do elenco mediano do Palmeiras, nada justificou a súbita mudança de postura do time, que passou a jogar recuado após as perdas de Pierre, Cleiton Xavier e Maurício Ramos por contusões. Essa perda de título pode por na conta do Muricy, como diz o Luxa, quem tem medo de perder não vai conseguir ganhar. Acho que o Santos deveria fazer um contrato vitalício com o Muricy, assim o Palmeiras não correria risco de um dia ele voltar, pois por aqui não deixou saudades; só deveria ter levado com ele metade dos conselheiros e diretores do Palmeiras , mas aí seria querer demais, né?

    • Não coloquei 2009 porque ele treinou mais de um time e aí me parece injusto comparar com os anos citados.
      Dos meus amigos palmeirenses, já ouvi várias versões sobre a campanha de 2009, algumas responsabilizam o técnico.
      Mas note que não disse que ele é perfeito, infalível e nem competente (as conquistas e os números fazem isso por mim) apenas qui registrar que o estigma de retranqueiro não combina com o treinador. Abs

  2. Netuno-SP

    Não basta dar chances aos jogadores da base, tem que saber trabalhar com eles!
    Tem que ter sequência. Se você reparar, a maioria das “chances” dadas aos pratas da casa neste ano foram nos jogos em que o Santos atuou só com reservas. Uma coisa é o Vitor Junior jogar ao lado do Neymar e do Ganso, outra é ter que “aprender” com Miralles e João Pedro! Além disso, acho que o Muricy pega no pé do Felipe Anderson de forma acintosa. Parece que tudo é culpa do garoto! Ele preferia insistir com Elano e Ibson do que apoiar o Felipe! Sinceramente não vejo muitas possibilidades para o 2º semestre do peixe.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: