O Japão não é mais logo ali!

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Como foi difícil o dia de ontem, não?

Esse tipo de derrota, também conhecido como tragédia, acontece e a nós, que tanto gostamos do Santos, cabe descobrir o porquê. Ou tentar.

É preciso ter cuidado com essa história de planejamento. Não há planejamento que assegure uma conquista de Libertadores. Isso é verdade quando se perde e também é verdade quando se ganha.

O formato do torneio, regulamento, a vontade de ganhar, a rivalidade e até uma certa precariedade, dão a Libertadores o privilégio de ser mais propícia ao imprevisível, ao imponderável, ao Sobrenatural de Almeida como diria Nelson Rodrigues.

Qualquer um dos quatro semifinalistas poderia ser campeão, qualquer um dos dois finalistas poderá ser campeão. Esse é o fato, o resto é perfume.

Em 2012, até estranhamente pela tradição do torneio, chegaram às semifinais os 4 melhores clubes do continente. Santos e La U de mais qualidade estética e de futebol mais agradável, acabaram fora. Não, não é necessário rever conceitos sobre estilo de jogo, nada disso. No futebol, como na vida, às vezes dá Barcelona, outras vezes Chelsea.

Perdemos e é bom que saibamos fazê-lo, quem não sabe perder não merece ganhar. Mas…

Repito, não é possível via planejamento assegurar a conquista do título, o que se consegue é se aproximar ao máximo disso com elenco menos vulnerável às surpresas da competição. Se o Santos não tivesse cometido os erros que pretendo listar, talvez tivesse perdido do mesmo jeito, mas certamente perderia mais forte e estaria mais forte para o restante da temporada. Eis o ponto.

Fomos ao Japão com o presidente reeleito de forma avassaladora e merecida. Fomos ao Japão de férias!

Não, o Santos não foi passar férias no Japão, todos no elenco, diretoria e entre nós, torcedores, queriam muito aquela conquista, mas o time não fazia uma partida digna de nota havia 6 meses, desde a decisão da Libertadores que hoje completa seu primeiro aniversário. Parabéns!

O que quero destacar é que o Santos iniciou o planejamento de 2012, tendo como base o time campeão da Libertadores e não o que levou a surra do Barcelona. Primeiro erro.

Mas era o mesmo time?

Não era! Além do que, seis meses mudam muito as pessoas, a vida e o futebol.

Iniciamos 2012 implantando as medidas trazidas pelo novo estatuto, não haveria mais diretores, o então diretor de futebol foi gozar de merecidas férias, ainda sem saber se seria o novo superintendente, segundo publicações da época. Deixou de ser mesmo sem ter sido, e o novo superintendente foi anunciado em 19 de fevereiro, o futebol ficou dois meses sem responsável direto.

Coincidência ou não, anunciada desde o fim de 2011, a contratação de Jonas fazia água. Desacerto envolvendo Maranhão que seria cedido, em definitivo, ao Coxa. Após ligeira troca de farpas, ficamos sem Jonas e com Maranhão, que foram em 2011, respectivamente, titular e reserva (às vezes segundo reserva) do bom time paranaense. Em síntese, Danilo foi embora e ficamos sem lateral, restava o Pará.

Felizmente, conseguiu-se o empréstimo de Fucile junto ao Porto. Problema resolvido por míseros 6 meses, o clube passa a tentar envolver Maranhão em trocas, já que o atleta dava sucessivos sinais de fragilidade no início da temporada. Não poderia esquecer, havia também o promissor Crystian, da base, para a posição.

Pois bem, Crystian se contundiu gravemente, Fucile também, ninguém quis Maranhão e o Santos dispensa Pará! Segundo erro grave!

Sabemos todos que suas chances de vencer adversários difíceis aumentam um pouquinho ao menos quando você consegue usar os dois lados do campo. O Santos de hoje é penso, torto, lembra um pouco aquelas mesas cansadas de bilhar em botecos pés sujos, que tanto gosto, em que algumas caçapas sugam a bola. Chamávamos isso na Zona Leste de São Paulo de “descaída”. Isso, o Santos com sua alta folha de pagamento é um time com “descaída”. Escrevi sobre isso dias atrás aqui neste blog.

O caso Ibson

É difícil manter um elenco forte e competitivo quando jogadores de alguma qualidade e experiência, como Ibson e Elano, fazem biquinho ao ficarem na reserva. Esse é mesmo um grave problema cultural que talvez explique o desejo do atleta de voltar para o Flamengo que, segundo dizem, tem tradicionalmente problemas para honrar seus pagamentos. Mas não dava para esperar o fim da Libertadores?

Ibson, mesmo de saída, não seria melhor opção do que Felipe Anderson (a eterna promessa), ou que Gerson Magrão (meu Deus!) ou que o próprio Elano? (o que acontece com esse rapaz?)

Por que a pressa para a troca por dois jogadores que nem poderiam ser inscritos na competição?

Ainda aguardo explicação convincente para este aparente absurdo.

A Vila Belmiro

Não quero parecer oportunista ao criticar a opção pela Vila Belmiro. O que penso sobre isso está escrito aqui no blog, bem antes desse jogo. Permito-me resumir o que penso de forma bem simples: 1) Amo a Vila Belmiro; 2) Ela atrapalha o Santos!

Os poucos felizardos que conseguiram assistir ao primeiro jogo da semifinal (estive entre eles) sabem do que digo. Esperava-se um caldeirão, viu-se no máximo uma frigideira de ovos num fogão com pouco gás.

O futebol, gostemos ou não, mudou! Um jogo grande tem de atender além de proprietários das cativas, conselheiros, torcedores organizados e meros mortais como eu, toda uma série de patrocinadores, convidados, cartolas, parentes e amigos, aspones, turistas agenciados e o diabo a quatro. Torcedores ali havia 8 mil, no máximo. É isso que queremos?

Queremos ser de novo o time grande de pior arrecadação no Brasil? Isso é amor?

A mim parece egoísmo!

Temos de começar a encarar os fatos e jogar na Vila de vez em quando, cada vez menos. Precisamos de um outro estádio, ainda que seja o Pacaembu, por enquanto. Sinto-me confortável para afirmar isso, porque sei o que a Vila representa e porque vou aos jogos onde quer que eles ocorram. Tenho essa virtude ou esse vicio, como queiram.

Estádio que tem de ser fonte de renda e tem de permitir iniciativas para ampliação do número de sócios.

Por falar nisso, não falarei do Sócio Rei. Prometo que só volto a me aborrecer com este assunto no dia em que receber minha carteirinha, caso esse dia chegue.

Reforços

Não tenho como avaliar os que já chegaram, não puderam ser inscritos e estão quase todos machucados, exceção feita ao E. Páscoa – esse me parece (eu disse parece) que pode dar certo como zagueiro. Não sei o que esperar de G. Magrão, D. Braz, Bernardo e Galhardo embora me pareça que nenhum deles tenha o mesmo nível dos titulares.

Por falar em nível, Juan pode integrar o elenco mas falta muito pra ser titular, considerando que já tem 30…

Perdemos Zé Roberto para o Grêmio, a direção disse ter havido um problema de comunicação, perdemos (?) Romarinho para o SCCP, não sei se isso é ruim mas o fato é que não temos um atacante de velocidade além do Neymar (que é craque, não Deus, e vai servir a CBF numas 15 rodadas do Brasileirão).

Outros “destaques” de times menores parecem não interessar ao clube. Vejam, por exemplo, esse Fabinho que foi do Guarani para o Cruzeiro. Acho que não interessa por não ser menino.

Perdemos Kardec, ganhamos com a saída de Renteria, mas resta o Dimba, dá?

Borges está feliz ou devo crer nos boatos de que sofre de “contratite”?

Ganso renova? Adriano renova?

Vamos contratar ou prevalece o discurso de que não há dinheiro? “O Santos não gasta mais do que arrecada”, diz sempre com orgulho nosso presidente, mas a arrecadação subiu vertiginosamente, não?

Já comemoramos bastante a manutenção de Neymar!

O que nos restou, com os problemas que já sabemos que virão, não é suficiente para conquistar o titulo e talvez nem para a vaga da Libertadores 2013.

A vida continua

Esse longo desabafo não desmerece nenhuma de nossas conquistas dentro ou fora de campo.

Não temos 100 mil sócios e nem 30 milhões de torcedores, nossa sobrevivência nessa não tão nova ordem do futebol mundial, depende de disputarmos para ganhar as competições.

Sim, senhor presidente, ganhamos 5 títulos na sua gestão, perdemos 4.

O saldo é mais que positivo mas não nos esqueçamos que as vitórias costumam emburrecer porque inebriam, da mesma forma que as derrotas ensinam, quando humanizam.

Saibamos com o que aprender!

Pitaco

Não me surpreendeu nada a classificação do Palmeiras e a eliminação do São Paulo na Copa do Brasil, mas notem que podemos terminar o semestre com a torcida alviverde sendo a única a sorrir. Quem imaginaria? Esse é o futebol tão parecido com a vida.

Despedida

Esse blog, por razões óbvias, deixará de existir em breve. O sonho do Japão acaba aqui, mas foi muito bonito e inesquecível sonhá-lo. Muito mesmo.

Voltamos em algum lugar e de algum jeito, em breve.

Obrigado pela visita!

Saúde!

PS Parabéns ao Sport Club Corinthians Paulista, absoluto merecedor da vaga conquistada.

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Categorias: Uncategorized | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “O Japão não é mais logo ali!

  1. Vilminha Santista

    Alessandro eu toh super chateada…Um dia alguém vai explicar como o melhor time das Américas consegue jogar mal em dois jogos contra um time retranqueiro e q em seguida meu presidente diz q vai torcer pros gambás contra o Boca. Felizmente eu sempre torci pra um único time,este q parou uma guerra. O Santos estah acima de td e de todos.Sonhava voltar ao Japão agora contra um time q não eh tão badalado mas infelizmente o sonho acabou.Lembra do jogo do Pacaembu 7X1??? Então me vi como babaca de novo… Perder faz parte mas não querer ganhar,eh outra coisa.Sempre achei q meu time um dia fosse desclassificado de cabeça erguida e não um time q jogou 180 min sem levantar a cabeça…Beijus e até ano q vem…

  2. Pingback: Sobre o Ganso e outros bichos. « Em busca da terceira estrela!

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