Contradições de um clube em crescimento

Não o conheço pessoalmente, mas sou grande admirador do que escreve o grande santista Luis Roberto Serrano, especialmente sobre o Santos, em seu blog.

O jornalista foi muito feliz em definir esse processo iniciado com a decisão de nossa direção de mandar grandes jogos na Vila Belmiro, como contradições de um time em crescimento. Concordo integralmente, embora trocasse time por clube. Acho que foi o que quis dizer. A íntegra do texto, que inspirou este post e do qual roubei o título, está aqui.

Trata-se de questão antiga e complexa, a cada dia, mais antiga e mais complexa.

Comecemos pela questão do crescimento.

É inegável que vivemos um momento ímpar de prosperidade.

Viabilizar a manutenção do elenco e, em especial, de Neymar, é um grande feito.

Maior ainda porque é, para além do discurso, apenas o início de um processo que visa colocar e manter o Santos onde deve estar, na vanguarda de um processo de (pós) modernização do futebol.

O Santos terá de equilibrar tradição com gestão corporativa, estética única com um plano de marketing igualmente ofensivo etc. Acho que estamos no caminho.

Jogando na Vila

Para 200% dos jogadores e profissionais diretamente envolvidos com o futebol, é sempre melhor jogar em “casa”. Já me debrucei sobre essa questão diversas vezes. Curiosidade de torcedor mesmo.

Impressiona, estatisticamente, como o desempenho das equipes (mesmo as mais fracas) é muito superior em casa. Cabe perguntar, entretanto, o que é casa e mais, se é possível ter mais de uma.

Nosso desempenho na Libertadores passada, por exemplo, foi pior no Pacaembu do que na Vila?

Claro, existe o conforto principalmente psicológico dos atletas e comissão técnica na Vila Belmiro. Eu mesmo, mero torcedor, fico ligeiramente mais tranqüilo ao saber que o duríssimo embate contra o Velez será em Urbano Caldeira, confesso.

Mas a que preço? Cinco mil ingressos para os sócios? Vale a pena?

A razão de ser de um jogo “em casa” não é estar junto da torcida?

Pensando no futuro

Não será fácil emocional e politicamente, mas a lógica indicaria jogos grandes em estádios grandes e jogos menores na Vila, não?

A dificuldade é maior porque sempre foi muito complicado manter essa discussão em bases racionais. Não demora e aparece alguém aos berros: O Santos é de Santos e tem que jogar em Santos porque Santos etc. Claro que é importante estar em Santos, mas sempre?

Não podemos excluir essa variável, que por vezes chega a ser xenofóbica, da discussão. Ela existe e precisa ser enfrentada, afinal o Santos é maior que Santos, maior que São Paulo, maior que quem escreve e maior que quem lê.

Pra mim, todo estádio é mais que um estádio. A Vila (a qual me dediquei a estudar por um bom tempo num trabalho de mestrado) mais ainda.

Quem me conhece sabe o quanto gosto do espaço, um templo, não é pouco. Amantes do futebol de todos os clubes sonham em estar em um jogo na Vila. Atração turística indiscutível.

O que não combina com o processo de evolução que  vivemos é estar sempre na rabeira da arrecadação entre os times brasileiros. Pode o melhor time do Brasil acostumar-se a jogar para 5000 pessoas? É normal acumularmos prejuízo financeiro por jogarmos na Vila?

O também santista, amigo e professor Amir Somogi, vem com seu estudo mais recente da BDO RCS, chamando atenção para diversas questões positivas e negativas do “novo” futebol brasileiro. Dentre as negativas, a pífia representatividade das bilheterias na arrecadação dos clubes, 8% em média (ver estudo completo aqui)

No Santos, a realidade é ainda mais dura, embora a arrecadação de 2011 tenha subido, efeito da Libertadores e dos jogos em São Paulo, no Brasileiro tivemos uma média de público na casa dos 8.000 pagantes/jogo.

Ressalte-se que o mesmo estudo aponta crescimento importante do clube em todas as outras fontes de arrecadação.

Estar na vanguarda do futebol (pós) moderno requer que saiamos mais da Vila, quer seja para o Pacaembu, quer seja para um novo estádio (inevitável no médio prazo). Isso porque o estádio é importante como fonte de arrecadação para os grandes clubes mundiais.

Coisas que só acontecem com um Sócio Rei

Nesta semana, tivemos um triste exemplo na tentativa de venda dos escassos ingressos para o embate da Libertadores. Desculpas foram pedidas, atribuindo-se o vexame à migração de sistemas e até a uma suposta invasão do site por hackers maldosos. Compreensível pode ser, desculpável não me parece.

LAOR pediu paciência, direção assumiu o erro. Tudo bem, há crédito, mas não é possível com os objetivos ambiciosos que temos, tropeçar em questões tão simples.

E que não nos escondamos de duas questões mal resolvidas e difíceis para o clube há tempos, a organização dos jogos e a comunicação com o sócio e com o torcedor, especialmente pela Internet.

Fico a vontade para dizer aqui o que já disse ao nosso presidente, de quem orgulhosamente fui eleitor, há que se (re)pensar a organização dos jogos. Um jogo envolve diversos setores do clube (marketing, patrimônio, futebol, torcida, arrecadação, comunicação) e, por vezes, fica a impressão de que sendo de todo mundo, não é de ninguém. Minha opinião é de que a criação de uma gerência de hospitalidade, ou algo parecido, seria de grande ajuda. Que fique claro, a crítica é ao produto, não à pessoas.

Além disso, precisamos de humildade para aprender com quem faz melhor não só no exterior como no Brasil.

Voltando ao sócio rei, tenho outra preocupação (semelhante a de alguns amigos santistas), não sei onde o clube pretende chegar ao hierarquizar sócios.

Nunca me foram claras quais as vantagens de adesão aos planos mais caros, senão a de categorizar sócios pelo seu poder de consumo, o que me parece assustador. Ser sócio deveria ser entregar-se à vida do clube, responsabilizar-se por ele. Consumo é outra coisa, é conseqüência.

Tínhamos algo a nos orgulhar no programa anterior de sócio, era barato (ainda é na versão mais básica) e democrático. Todos são iguais ou eram. Não sei se isso muda, tenho medo de um dia resolverem vender escassos 5.000 ingressos apenas aos sócios de “categoria superior”, por exemplo. Ressalto ser mera especulação de minha parte, nunca ouvi ou li nada neste sentido, mas queria ter certeza de que isso não virá a ocorrer e não tenho.

Falta clareza no programa, gasto mais do que 1000 reais por ano com o clube, não é essa questão, mas queria saber mais sobre, por exemplo, o quanto estaria ajudando o clube ao aderir a um plano mais caro. Vocês sabem? Olhando o site, aqui, não consigo entender.

Por exemplo, na categoria ouro, pode-se levar filhos e netos para entrar em campo com os jogadores. Ok, então nas outras não? E o moleque pobre do morro não pode realizar este sonho? Se isso ocorrer, será muito triste.

Bem, fica nestas longas e mal traçadas linhas um pequeno desabafo, claro que também motivado pelo fiasco na venda dos ingressos (dei sorte e estarei na Vila amanhã). Poderíamos entender que isso não é hora pra discutir, vamos torcer nesse momento decisivo. Teria de discordar, não pretendo ser proprietário de qualquer verdade, não sou, LAOR não é, Muricy não é, Neymar não é (se bem que no caso dele…) mas torcer e amar o clube requer esforço de todos, inclusive na discussão de eventuais problemas. Queremos o bem do clube, queremos o maior Santos do mundo e queremos trucidar o Vélez Sarsfield amanhã.

Nos vemos na Vila ou por aí. Até

#VaipracimadelesSantos

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