Paulistão ou Paulistinha?

Não sou daqueles que pregam o fim das competições estaduais. Acho, aliás, que essa é uma reivindicação bastante insensível.

A história de nosso futebol, a formação das rivalidades e da paixão têm origem regional. Me interessa muito a possibilidade de ver um “Come-Fogo”, um Derby de Campinas, ou mesmo meu time contra o XV de Piracicaba. Há, e nem sei se isso revela o quanto estou ficando velho, um certo charme nisso tudo.

Aos mais novos, cabe esclarecer que há não muito tempo o Estadual era a competição mais importante. Ao menos em São Paulo.

Ocorre que assim como paixão e rivalidade, a estrutura de poder em nosso futebol é também construída regionalmente. Daí a força das Federações – financeira e política – que resulta, no caso de São Paulo, num monstrengo com 23 datas. Eis o primeiro problema.

Ele acaba sendo amenizado, em parte por nosso fanatismo. Quantos já não estavam “se coçando” pela abstinência de futebol? Além disso, há aquela vontade de ver como o time está se montando e quando a gente percebe o quanto a competição é monótona e modorrenta, surgem os clássicos, os jogos em mata-mata. Depois esquecemos e ano que vem tem mais.

Mas o que me parece o maior problema, um nojo, um absurdo mesmo, é o que fazem os clubes do interior quando mandantes.

Ontem, por exemplo, o sujeito que se dispusesse a ficar embaixo de um sol de 35 graus em Catanduva, pagava R$ 80,00 (preço mínimo). Pouco mais de 5.000 pagantes para uma renda liquida de R$ 238 mil e uns quebrados.

O outro, que quisesse ver o glorioso time B do Santos em Jundiaí, R$ 50,00. Para um resultado de 3.029 pagantes e renda liquida de pouco mais de R$ 43 mil.

Isso se repetirá nos demais jogos, isso vem acontecendo nos últimos anos, infelizmente.

Rendas pífias e presença de público medíocre.

Qualquer criança de 7 anos sabe que há uma enorme burrice nisso tudo. Preços mais próximos do que se considera justo traria mais público. Mais público permite uma série de outras ações que podem ser revertidas em lucro no futuro.

Além disso, um garoto de 12 anos em Catanduva nunca viu seu time jogar contra um “grande” e quando vem a oportunidade… Ou seja, esse moleque vai torcer para um clube grande, já que a TV é de graça (ou quase isso) e vai odiar o Catanduvense.

Além disso, basta olhar dados dos campeonatos passados (são públicos e estão aqui) para que se verifique que a ganância resulta em prejuízo. Isso mesmo, a grande maioria dos clubes do interior, paga para jogar, já que há vários custos que envolvem receber um jogo de futebol.

Só nós sabemos disso? Obviamente, não.

É que há outro elemento aí, o poder. Um presidente de clube pode até ficar mal visto pela população em geral quanto pratica esse tipo de preço, mas fica muito bem com aqueles agraciados com convites especiais, gratuidades etc.

Depois é só sair-se com a desculpa “É a única oportunidade de recuperarmos os investimentos…” Haverá quem acredite, e a vida segue até o próximo campeonato, Paulistão ou Paulistinha.

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