Há o que aprender com a derrota?

De volta ao Brasil, escrevo após assistir ao VT do jogo de Yokohama. Acreditem, na TV o Santos foi melhor.

Venho tentando desde o apito final do árbitro acompanhar a repercussão do jogo. De lá do Japão, é mais difícil, muito embora tenha sido possível perceber o tom que seria dado à cobertura já nos primeiros instantes após a partida. Houve, por exemplo, uma equipe brasileira de TV que gravava uma “cabeça” de matéria, falando no clima de tristeza e revolta da torcida em Yokohama. Coisa de mau caráter. Não houve nada disso no Japão.

Houve apoio ininterrupto e incondicional. (pretendo falar da torcida em outro post). Houve desapontamento e é do que quero lhes falar.

Antes, apenas uma observação sobre o que pude perceber da referida repercussão. Houve duas linhas de cobertura.

A primeira, passiva, considera a derrota como algo inevitável, com o que é preciso se conformar e ponto.

Seu maior símbolo foi a coletiva de Muricy, a quem nossos companheiros da imprensa brasileira só faltaram perguntar se queria uma massagem nas costas. O técnico pareceu bem a vontade com o clima amistoso, a ponto de dizer já no Brasil, coisas como “Chegamos a três finais, querem mais o que?” e “Vocês estão de brincadeira” ao ser indagado sobre um eventual erro na escalação.

Não professor, não é brincadeira. Seu erro foi grosseiro, mas já falamos dele.

Voltando ao tom da cobertura, há a linha dos revoltadinhos. Estes, sugerem ser o Santos um grande engodo, um produto do “maldito marketing”, símbolo maior da decadência do futebol brasileiro, da falta de seriedade e de compromisso, da soberba. Como não foram poucos, a estes “idiotas da objetividade” gostaria de responder num texto específico. Contento-me aqui em mandar-lhes, em caráter preventivo, à merda.

Vamos ao desapontamento. O Santos não viu a bola no Japão, foi um arremedo de time, um amontoado assustado diante do nada surpreendente espetacular futebol do Barcelona, que faz do gramado uma pequena quadra. O Barça joga futsal na grama.

Não sei se contra o medo, contra o susto, a amarelada de enfrentar os ídolos do videogame, haveria algo a ser feito. Talvez deixar o tempo passar, deixar acumular experiência, acumular algumas cicatrizes, enfim.

Já contra a patacoada tática, há. Admitir o erro é um bom começo e ele foi bem grave.

Muricy e seu fetiche por três zagueiros atacaram novamente. Numa formação nunca antes tentada, Muricy tentou se consagrar. Conseguiu, só que ao contrário.

Aliás não eram três zagueiros, já que Léo, feito barata tonta, ficava por ali também. Menção honrosa às atuações indecorosas, pra dizer o mínimo, do já citado Léo e de Durval. Uma lástima.

Muricy sabe, bem melhor que eu, que ao escalar três zagueiros para supostamente fazer dos laterais, alas, a bola inevitavelmente ficará no pé dos zagueiros por mais tempo. O Santos tinha três zagueiros de nenhuma capacidade com a bola nos pés. Tinha tudo pra dar merda, deu.

O time não conseguia sair, não conseguia adiantar marcação. Léo, Danilo e Henrique absolutamente perdidos.

Mas ganharia se jogasse de outra forma? Não sou a Mãe Dinah e, como já disse, nossa relação de torcida independe de resultado. É bem provável que perdesse, mas a única coisa que queríamos era que o time jogasse,  não jogou.

Tanto sabe que fez merda, que no segundo tempo Muricy faz de Bruno Rodrigo (o melhor dos 3 zagueiros) uma espécie de lateral direito, reestabelecendo uma linha de quatro jogadores. Nesse samba do crioulo doido, o time até que melhorou ou foi menos patético.

A análise objetiva do jogo termina nisso. O time foi mal, o técnico foi péssimo, as limitações foram escancaradas. Só isso!

Foi um ano maravilhoso, críticas são merecidas e importantes, mas não há revolta, não há tristeza e nem caça as bruxas, pixação de muro e coisas do gênero. Isso é coisa de time pequeno. Muricy que continue a trabalhar e que pelo menos no íntimo reconheça a bobagem (ainda que no momento lhe tenha parecido inevitável fazê-la) que fez e que internamente seja lembrado por aqueles que lhe são superiores no clube. Vamos a estes agora, à diretoria.

Por que jogamos fora um semestre? Sim, ou alguém discorda que o Santos poderia, com alguma folga, ser campeão brasileiro?

Aí você perde do Coritiba em casa, do Figueirense em casa e diz “É que a cabeça já está no Japão” ou “o time está se preparando para o Barcelona”. Não estava e os 4 x 0, bons demais pelo futebol apresentado, estão aí para provar.

Que a direção do clube, de quem compreendo a empolgação –  no final somos todos torcedores –  tenha percebido que há coisas que não se deve mais fazer, como por exemplo deixar o time de férias um semestre. Estivesse disputando o título do brasileiro com seriedade, talvez a atuação agora fosse outra.

Que se entenda que mesmo sem caça as bruxas, o time precisa de alguns reforços.

Que se entenda a acachapante derrota como algo pedagógico. Aprendamos todos.

A luta pela terceira estrela continua. Mas ela começa em janeiro, contra o XV de Piracicaba, ok?

Até!

 

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